Lito Sousa, influenciador e piloto com um canal denominado “Aviões e Músicas”, recebeu o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e degenerativa. A informação foi divulgada na última sexta-feira (21/8) por sua esposa, Mila Seidl, após semanas de investigação médica e piora nos sintomas. O neurocirurgião Dr. Paulo Porto de Melo forneceu detalhes sobre a doença em uma entrevista ao portal LeoDias, esclarecendo os efeitos devastadores que ela tem sobre o sistema nervoso e os cuidados necessários após o diagnóstico.
De acordo com o médico, a Creutzfeldt-Jakob é classificada como uma doença priônica, resultante do acúmulo de proteínas anormais no cérebro.
“A doença de Creutzfeldt-Jakob é também conhecida como doença priônica. Essa denominação se deve ao fato de ser provocada por proteínas anormais chamadas príons. Essas proteínas causam a degeneração cerebral, levando a sintomas como confusão mental, alterações na força e nos movimentos, resultando em uma deterioração rápida da saúde cerebral. Infelizmente, não há tratamento eficaz para curá-la; o manejo é multidisciplinar, focando em proporcionar conforto ao paciente e aliviar os sintomas enquanto a doença avança. É importante ressaltar que não se trata de uma enfermidade transmitida por contato físico próximo, como beijos ou abraços, portanto não há motivo para pânico”, explicou.
Veja as fotos
Leia Também
No caso do influenciador, a condição se manifestou primeiramente com dificuldades motoras. Mila revelou que ele perdeu significativamente seus movimentos nas últimas semanas, embora mantenha clareza mental.
“Conforme avança a enfermidade, é comum haver um agravamento progressivo das habilidades motoras, além de alterações na coordenação e na fala; eventualmente isso pode levar ao óbito”, destacou o especialista.
A evolução da Creutzfeldt-Jakob é tipicamente rápida e pode afetar diversas funções neurológicas. Antes da confirmação do diagnóstico de Lito, médicos investigaram outras possíveis causas para seu estado clínico, incluindo encefalite autoimune. Ele foi submetido a tratamentos como plasmaférese e pulsoterapia, mas apresentou poucas melhorias e sua condição voltou a se agravar.
A maioria dos casos não apresenta origem conhecida
O especialista ainda ressaltou que na maior parte dos casos não se consegue identificar a causa da doença.
“É fundamental mencionar que aproximadamente 84% dos casos da Creutzfeldt-Jakob são esporádicos; ou seja, não conseguimos determinar sua origem ou o mecanismo pelo qual se desenvolveu. Nos demais 16%, a transmissão ocorre através de material cirúrgico contaminado ou raramente por mutações genéticas no gene PRNP. Mais uma vez, cabe esclarecer à população que essa não é uma enfermidade transmissível por contato físico ou via respiratória”, enfatizou.
Essa explicação é especialmente relevante para acalmar as preocupações que familiares e amigos possam ter em relação ao paciente. A forma esporádica representa a maior parte dos diagnósticos dessa condição.
Tratamento busca conforto; cura ainda não existe
Atualmente não há tratamento capaz de parar ou reverter a progressão da Creutzfeldt-Jakob. Assim sendo, após o diagnóstico confirmado, as atenções são voltadas principalmente para o manejo dos sintomas e para manter a qualidade de vida do paciente.
No caso de Lito Sousa, sua esposa mencionou que ele optou por deixar o hospital para receber cuidados domiciliares. A família está organizando um sistema de home care com suporte contínuo e um cuidador disponível durante todo o dia.
Segundo Paulo Porto de Melo, os cuidados devem ser personalizados conforme os sintomas apresentados pelo paciente.
“Após o diagnóstico, o tratamento foca em suporte e conforto. Isso depende muito das manifestações sintomáticas mais incômodas. Por exemplo, se houver comprometimento motor significativo, recomenda-se terapia ocupacional; se houver fraqueza muscular, fisioterapia pode ser extremamente útil. Para questões relacionadas à memória ou confusão mental, recomenda-se treino cognitivo com neuropsicólogo. É essencial contar com um neurologista experiente para coordenar todas essas intervenções terapêuticas visando os melhores resultados possíveis. O objetivo final do tratamento é garantir conforto durante esse processo evolutivo e rápido”, concluiu o médico.
Além disso, a família tem buscado informações sobre estudos clínicos disponíveis no exterior. Mila mencionou investigações realizadas nos Estados Unidos e na China; porém explicou que participar de um estudo experimental pode ser desafiador devido ao estágio atual da doença e aos critérios exigidos para inclusão.