O Corinthians está em tratativas com a Hypera Pharma para discutir os valores relacionados à possível rescisão do contrato de naming rights da Neo Química Arena. Essa movimentação ocorre em paralelo às negociações com a Caixa Econômica Federal visando a quitação da dívida do estádio, onde há divergências entre as partes sobre o valor da multa contratual, conforme apuração realizada.
O acordo entre o clube e a empresa farmacêutica foi estabelecido em setembro de 2020, com duração de 20 anos. O contrato inclui uma tabela de valores decrescentes para uma eventual rescisão unilateral, estipulando que, até 2026, o valor seria de R$ 47,85 milhões. Este montante é o defendido pelo Corinthians nas discussões atuais com a patrocinadora.
Por sua vez, a Hypera Pharma acredita que a multa deve ser corrigida de acordo com o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Caso esse reajuste seja aplicado ao longo do período do contrato, o valor final aumentaria em torno de 41%, totalizando aproximadamente R$ 68 milhões.
A gestão do Corinthians confia na boa relação com a Hypera Pharma para tentar minimizar os custos relacionados a uma possível rescisão antecipada do contrato. Esse encerramento pode se tornar necessário caso um acordo seja alcançado com a Caixa para transferir ao banco os direitos comerciais sobre o nome da arena.
Apesar das discussões em andamento, o clube deseja manter sua parceria com a Hypera Pharma. Entre as alternativas discutidas está a possibilidade de um novo contrato de patrocínio ou até mesmo negociar os naming rights de outras propriedades do Corinthians, como o CT Joaquim Grava.
Quando contatada, a empresa farmacêutica optou por não comentar sobre as negociações em curso.
Corinthians propõe à Caixa os naming rights da Neo Química Arena
A diretoria corintiana está buscando que a Caixa Econômica Federal assuma os naming rights da Neo Química Arena como parte de um plano para quitar a dívida existente do estádio. Na visão do clube, o espaço publicitário poderia gerar cerca de R$ 70 milhões anualmente.
Esse montante é significativamente maior do que os cerca de R$ 15 milhões por ano atualmente pagos pela Hypera Pharma, quantia que já inclui correções inflacionárias desde a assinatura do contrato em 2020.
No projeto apresentado ao banco, também estão previstas outras formas de colaboração. Entre essas possibilidades estão iniciativas como lançamento de títulos de capitalização e transferência das operações financeiras do clube para a Caixa — o que incluiria contas e pagamento dos salários — além da criação de cartões associados ao programa Fiel Torcedor.
A proposta sugere que o banco explore comercialmente o nome da arena por um período determinado. Com os recursos provenientes desse acordo, o Corinthians espera encontrar uma solução viável para sua dívida relacionada à construção da arena.
Dívida corintiana com a Caixa gira em torno de R$ 630 milhões
Recentemente, o Corinthians obteve uma suspensão temporária dos pagamentos relativos à dívida estimada em R$ 630 milhões. Além disso, houve retenção das receitas provenientes das bilheteiras e premiações esportivas. Essa medida representa um alívio para o fluxo financeiro do clube enquanto as negociações continuam.
Outro indicativo positivo nas conversas foi o desbloqueio de R$ 13,5 milhões pela Caixa. Esse valor fazia parte dos R$ 27 milhões depositados pelo Corinthians em uma conta-reserva conforme estipulado no contrato referente ao pagamento do estádio.
Com esses recursos liberados, a diretoria conseguiu saldar os salários atrasados referentes ao mês de setembro. No entanto, tanto as negociações com o banco quanto as definições sobre o contrato com a Hypera Pharma ainda dependem de novos entendimentos entre as partes envolvidas.