Estudo revela que a gratuidade no transporte pode gerar bilhões e ampliar o acesso a serviços essenciais
Um estudo recente sugere que a isenção de tarifas para passagens de transporte poderia liberar uma quantia significativa de renda para milhões de trabalhadores, funcionando como um salário indireto.
As estimativas apontam que a eliminação das tarifas nas capitais resultaria em um impacto anual de aproximadamente 60 bilhões de reais, recursos que deixariam de ser direcionados ao transporte e seriam realocados para o consumo de produtos e serviços.
Dessa quantia, cerca de 14,7 bilhões já são oriundos de benefícios concedidos a idosos, estudantes e pessoas com deficiência, restando uma injeção adicional em torno de 45,6 bilhões de reais.
Essa redistribuição de renda teria um efeito similar ao dos programas de transferência direta, alcançando um grande número de famílias continuamente.
Reduzindo os custos diários com deslocamento, os trabalhadores teriam mais poder aquisitivo para atender a outras necessidades básicas, como alimentação, saúde e educação.
Entretanto, surgem desafios relacionados ao financiamento do sistema atual, que depende da arrecadação por meio das tarifas e subsídios públicos, exigindo novas fontes de receita.
Os governos estaduais e municipais, encarregados da administração do transporte urbano, devem reconsiderar suas abordagens sobre custeio.
Experiências com tarifa zero já estão em vigor em diversas cidades menores e médias, além de projetos parciais em grandes metrópoles que oferecem gratuidade em horários ou linhas específicas.
Essas iniciativas servem como exemplo para expandir essa política em nível nacional.
Outro aspecto importante é o potencial impacto positivo na segurança viária; a redução do uso de veículos particulares pode contribuir para diminuir o tráfego e os riscos associados a acidentes.
O debate sobre a possível eliminação das tarifas se intensifica diante da necessidade urgente de repensar as formas de financiamento do transporte público e buscar soluções que integrem mobilidade com justiça social.
Ao relacionar mobilidade urbana à distribuição de renda, o estudo ressalta que políticas no setor de transporte podem ser ferramentas estratégicas para mitigar desigualdades e impulsionar o desenvolvimento econômico.
Com base nessas evidências apresentadas, o assunto deve avançar nas discussões públicas, exigindo análises mais aprofundadas sobre a viabilidade, custos e benefícios sociais envolvidos.