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SUS inicia pesquisa com canetas para auxiliar na perda de peso em pessoas com obesidade severa

Na sexta-feira, 26 de junho, teve início uma pesquisa inovadora promovida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) visando avaliar a eficácia de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade. O estudo piloto está sendo realizado no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), localizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e irá acompanhar 250 pacientes com obesidade severa que já recebem atendimento na unidade. A coordenação da iniciativa é do Ministério da Saúde e tem como objetivo coletar dados sobre a segurança, eficácia e impacto do uso da semaglutida dentro do sistema público de saúde.

O primeiro indivíduo a receber a medicação foi Guilherme Henrique Streppel Panichi, um motorista de aplicativo de 39 anos, que participou da aplicação inaugural durante o evento de lançamento do estudo. A substância utilizada é produzida pela farmacêutica Novo Nordisk.

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Ministro Alexandre Padilha durante anúncio do estudo em Porto Alegre nesta sexta-feira com aplicação em Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anosFoto: Rafael Nasciment/Ministério da Saúde
Canetas emagrecedoraCrédito: Pexels
Canetas emagrecedorasFoto: Gecko Studio/Shuttertsock
Canetas emagrecedoraCrédito: Freepik
Aplicação de caneta emagrecedoraReprodução: Freepik

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Nos próximos dois anos, os pesquisadores acompanharão uma série de indicadores relacionados à abordagem terapêutica, incluindo perda de peso, qualidade de vida dos pacientes, resultados laboratoriais, segurança do tratamento, evolução clínica e custos para o sistema público. O objetivo é determinar se as canetas podem reduzir a necessidade de cirurgias bariátricas e minimizar complicações decorrentes da obesidade.

A pesquisa será realizada através da colaboração entre o Ministério da Saúde e a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição. O protocolo abrange indivíduos com obesidade grave ou aqueles que apresentam essa condição combinada a outras doenças como problemas cardiovasculares e que são candidatos à cirurgia bariátrica.

Para participar do estudo, os indivíduos devem comprovar um diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano. Além disso, eles precisam demonstrar que tratamentos convencionais — como dietas estruturadas e exercícios físicos regulares — não resultaram nos efeitos desejados após um período mínimo de dois meses. É necessário também que os participantes tenham capacidade para aplicar a medicação por conta própria ou contar com um cuidador responsável pelo procedimento.

O financiamento deste projeto será realizado pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), que recebeu recursos da farmacêutica Novo Nordisk. Até o momento, não há previsão para que esses medicamentos sejam definitivamente integrados ao SUS; tal decisão dependerá dos resultados obtidos na pesquisa.

Além de avaliar os benefícios clínicos e financeiros desse tratamento, esta iniciativa visa gerar informações nacionais que possam orientar futuras políticas públicas sobre a luta contra a obesidade grave.

“Estamos interessados em entender como esses medicamentos podem ser utilizados no sistema público. Esperamos que isso possa trazer impactos econômicos positivos, como diminuir as filas para cirurgias bariátricas e reduzir complicações cardíacas associadas à obesidade e ao diabetes. Não consideramos as canetas como soluções milagrosas ou únicas para o problema da obesidade”, afirmou Padilha em entrevista recente.

Os agonistas do receptor GLP-1, popularizados por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, atuam em diversos órgãos do corpo humano. No pâncreas, eles incentivam a liberação de insulina — razão pela qual também são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 — enquanto retardam o esvaziamento gástrico no sistema digestivo e aumentam a sensação de saciedade no cérebro, contribuindo assim para a perda de peso.

Estudos adicionais estão explorando os potenciais benefícios desses medicamentos em outras áreas da saúde. Um trabalho recente publicado na revista científica Annals of Oncology indicou que pacientes com obesidade tratados com essas canetas apresentaram uma redução de 41% no risco de desenvolver cânceres associados ao excesso de peso. Esta foi a primeira pesquisa a observar esse efeito em indivíduos sem diagnóstico prévio de diabetes.

A investigação foi conduzida por pesquisadores do Houston Methodist Hospital nos Estados Unidos, que analisaram dados referentes a 229.467 pacientes com obesidade registrados na plataforma TriNetX, que compila prontuários eletrônicos de aproximadamente 113 milhões de americanos.

Em paralelo, o mercado brasileiro está passando por novidades significativas. Há pouco mais de dez dias foi lançado no Brasil o Ozivy, medicamento desenvolvido pela empresa EMS. Este produto representa o primeiro uso aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da semaglutida sintética especificamente para tratamento do diabetes tipo 2. Além disso, outros 17 pedidos para registro estão atualmente sob análise pela agência reguladora.

Por meio do programa Vida + Leve, a EMS disponibiliza um kit contendo duas canetas multidose com dosagem inicial de 1 mg cada uma — quantidade suficiente para três meses — ao preço total aproximado R$863,23 ou cerca R$287 mensais.

A farmacêutica anunciou que o primeiro lote destinado ao mercado brasileiro incluirá cerca de 500 mil canetas e planeja aumentar sua produção anual para até 40 milhões unidades por meio investimentos superiores R$1,2 bilhão.

Segundo Alexandre Padilha, ministro da Saúde, parte da estratégia governamental envolve estimular concorrência neste setor. Assim sendo,a Anvisa continuará avaliando novos registros para medicamentos à base semaglutida que poderão aumentar oferta e ajudar na diminuição dos preços.

“Queremos nos apropriar dessa tecnologia assim como o Brasil fez com produção vacinas. Nossa intenção é fazer parte seleto grupo países capazes produzir peptídeos”, declarou Padilha.

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