Em 2023, a economia esportiva brasileira registrou mais de 3,3 milhões de empregos e movimentou R$ 183,4 bilhões. Esses dados, revelados na primeira edição do PIB do Esporte, servirão como base para um novo estudo que será iniciado neste mês de setembro pelo Instituto Sou do Esporte. A meta da próxima edição é expandir as medições e incluir atividades que não foram totalmente abordadas no levantamento anterior.
A quantia identificada na pesquisa preliminar representou 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O estudo considerou uma ampla gama de entidades públicas e privadas, abrangendo setores como indústria, comércio e distribuição, serviços, saúde e bem-estar, turismo esportivo, mídia, entretenimento e regulação.
“A segunda edição é um desafio para integrar o PIB do Esporte em novas áreas da economia. Existem atividades que não foram consideradas ou que apareceram apenas parcialmente no primeiro estudo. Segmentos como apostas, turismo esportivo, eventos, eSports e a economia informal demonstram a complexidade desta indústria que precisa ser melhor compreendida. Quanto mais conseguirmos aprimorar a qualidade dos dados disponíveis, mais perto estaremos de entender a dimensão da economia esportiva no Brasil”, declara Fabiana Bentes, presidente do Instituto Sou do Esporte.
Atividades que não foram incluídas ou foram parcialmente contabilizadas incluem apostas, a economia informal relacionada ao turismo esportivo, eventos e os eSports. Além disso, dados específicos sobre educação física nas escolas não estavam disponíveis, assim como informações sobre o desporto militar.
O relatório enfatiza que a diversidade da indústria esportiva — com suas várias modalidades e eventos sazonais — torna a coleta de informações um desafio significativo. A escassez de dados detalhados foi identificada como uma das principais barreiras para o entendimento completo desse setor; informações sem confiabilidade foram descartadas.
“Quando adicionamos uma nova atividade à nossa análise, não estamos simplesmente aumentando um número. Estamos descobrindo quantas empresas operam nesse setor, quantos profissionais estão empregados e quais serviços e investimentos estão envolvidos. A segunda edição deve progredir especialmente nas áreas onde o primeiro estudo revelou lacunas informativas”, complementa Fabiana Bentes.
Investimentos se refletem em toda a economia
O levantamento inicial também avaliou o impacto financeiro das despesas com práticas esportivas. Para cada R$ 1 investido pelo setor privado na área esportiva, são gerados R$ 23,35 adicionais em toda a cadeia produtiva relacionada ao esporte. No caso dos investimentos públicos, esse valor chega a R$ 12,83 por cada real aplicado.
As Secretarias estaduais contribuíram com R$ 11,12 bilhões em 2023, representando cerca de 6% do PIB esportivo totalizado com informações provenientes de 26 estados e 2.438 municípios. Patrocínios também foram contabilizados na análise, assegurando que não houvesse duplicação nas receitas apuradas entre diferentes CNAEs.
“Ao mensurarmos o impacto do esporte na economia, conseguimos demonstrar que uma competição impacta muito além de atletas e organizações esportivas. Ela envolve setores como hotelaria, alimentação, transporte, tecnologia e comunicação. O intuito desta nova edição é aprofundar essa análise e gerar dados que ajudem a compreender onde e como o esporte influencia a economia brasileira”, finaliza Fabiana Bentes.
A nova fase deste projeto terá início em setembro de 2026 e visa criar uma base periódica de dados sobre a contribuição do esporte à economia brasileira.