Data de publicação: 23/6/2026 às 9h23
Por Aline Teixeira
Para muitos homens, sair de casa é uma ação simples, sem grandes reflexões sobre o trajeto, o horário do retorno ou as pessoas ao redor. Entretanto, para a maioria das mulheres, esse cenário é bem distinto. Antes mesmo de deixar o lar, elas realizam um cálculo mental. Quais são os caminhos mais seguros? O ambiente é bem iluminado? É mais seguro chamar um carro por aplicativo ou esperar um pouco? É prudente caminhar sozinha? Existe alguém que possa monitorar o trajeto em tempo real?
Essas escolhas fazem parte do cotidiano e frequentemente passam despercebidas por quem não vive essa realidade. A verdade é que a vivência nos espaços públicos varia consideravelmente entre gêneros. Enquanto muitos homens transitam com liberdade, milhões de mulheres permanecem em um estado constante de alerta. Isso não ocorre por vontade própria, mas sim porque desde cedo aprenderam que a precaução é essencial para a sobrevivência.
Práticas como compartilhar a localização com amigos e familiares, enviar informações do veículo, evitar certos horários, mudar de calçada ou simular uma ligação tornaram-se tão habituais que acabaram se normalizando. Contudo, nada disso deveria ser considerado aceitável. Essa vigilância constante gera impactos significativos. Ela prejudica a saúde mental, eleva os níveis de ansiedade e restringe a sensação de liberdade. Quando uma pessoa está constantemente avaliando riscos, perde a capacidade de desfrutar dos espaços com tranquilidade. Portanto, ao abordar a questão da segurança feminina, não estamos apenas tratando da violência. Estamos discutindo qualidade de vida, saúde emocional e o direito fundamental de viver sem receios.
Talvez a questão que a sociedade precise refletir não seja o motivo pelo qual as mulheres desenvolvem tantas estratégias protetivas. A verdadeira pergunta deve ser: por que ainda precisam fazê-lo? Meu nome é Aline Teixeira e acredito que liberdade vai além do simples ir e vir; trata-se da capacidade de fazer isso sem que o medo seja um companheiro constante na jornada. Se você também compartilha dessa visão, siga-me nas redes sociais @alineteixeira.oficial.
Aline Teixeira