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Como caiu tanto a fortuna de Ricardo Valadares Gontijo da Direcional Engenharia? Empresa despenca na bolsa nos últimos 12 meses

A Direcional Engenharia, construtora de origem mineira com forte atuação no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), atravessa um momento de pressão no mercado financeiro. Com as ações próximas das mínimas registradas no ano, a companhia apresentou ao mercado um plano de recompra de seus próprios papéis em bolsa. O movimento ocorre em meio à perda de valor das ações e à redução do interesse de parte dos investidores institucionais e pessoas físicas.

Nos últimos 12 meses, os papéis da companhia acumulavam queda superior a 30%, conforme a cotação considerada no período. Em 27 de setembro, as ações chegaram a fechar próximas da mínima anual, na faixa de R$ 9,70, enquanto a mínima registrada no ano era de aproximadamente R$ 9,78, segundo os dados utilizados no levantamento.

O desempenho ocorre em um ambiente de maior cautela dos investidores diante das incertezas relacionadas ao cenário econômico brasileiro, às contas públicas e ao período eleitoral. Nesse contexto, empresas com maior concentração de atuação em determinados segmentos podem sofrer avaliações distintas do mercado, especialmente quando dependem de políticas públicas e condições específicas de financiamento.

Patrimônio dos acionistas de referência

A queda das ações também tem impacto sobre o patrimônio dos acionistas de referência da Direcional, entre eles integrantes da família de Ricardo Valadares Gontijo. Conforme levantamento atribuído à Forbes Brasil, a participação acionária da família representa parcela relevante de seu patrimônio, estimado em aproximadamente R$ 1,5 bilhão na publicação mencionada.

A concentração patrimonial em um único ativo torna a oscilação das ações especialmente relevante para os principais acionistas. O desempenho da Direcional, portanto, tem reflexos não apenas sobre investidores do mercado, mas também sobre o patrimônio dos controladores e acionistas de referência.

Concorrência no Minha Casa Minha Vida

A Direcional atua há décadas no segmento de habitação popular e tem no Minha Casa Minha Vida uma das principais frentes de negócios. O setor, entretanto, conta com concorrentes de grande porte.

Entre as empresas que disputam espaço no segmento está a Pacaembu Construtora, de origem paulista, que ampliou sua presença no mercado de habitação popular. A MRV, controlada pelo empresário Rubens Menin, também permanece entre as maiores empresas brasileiras do setor de construção residencial.

A disputa envolve escala de produção, volume de unidades lançadas e capacidade de execução de empreendimentos destinados às diferentes faixas do programa habitacional federal.

De pequenos empreendimentos à expansão nacional

Fundada em 1981, a Direcional Engenharia iniciou suas atividades com pequenos empreendimentos residenciais e obras públicas. O primeiro edifício construído pela companhia tinha 12 apartamentos e ficava no bairro Salgado Filho, em Belo Horizonte.

A partir dos anos 2000, com a expansão das políticas federais de habitação popular e, posteriormente, com a criação e ampliação do Minha Casa Minha Vida, a empresa aumentou significativamente sua participação no segmento de baixa renda.

A atuação no programa federal tornou-se uma das principais bases do crescimento da companhia e contribuiu para a expansão de suas operações em diferentes regiões do país.

Questionamentos sobre empreendimentos

A atuação da empresa também aparece em processos e investigações relacionados à qualidade de obras e às condições de trabalho.

Em 2025, segundo informações apresentadas no material, o Ministério Público Federal em Goiás ajuizou ação envolvendo a Caixa Econômica Federal e a Direcional Engenharia em relação a supostos vícios construtivos no Residencial Nelson Mandela V, empreendimento vinculado ao Minha Casa Minha Vida.

A apuração técnica mencionada na ação teria identificado problemas como pontos de empoçamento de água, falhas no sistema de vedação e danos em revestimentos cerâmicos, incluindo rachaduras. O Ministério Público Federal teria solicitado providências para garantir a segurança e a adequada utilização do empreendimento pelos moradores.

Os apontamentos integram uma disputa judicial e devem ser considerados conforme o estágio e as decisões do processo.

Reclamações de consumidores

A empresa também aparece em plataformas de reclamação de consumidores. Segundo o levantamento apresentado no release, a Direcional acumula mais de 14 mil reclamações no Reclame Aqui, envolvendo relatos de atrasos, cobranças questionadas, problemas relacionados a imóveis, reembolsos e dificuldades no atendimento.

Os registros de plataformas de reclamação representam manifestações de consumidores e, isoladamente, não comprovam a responsabilidade da empresa em cada caso relatado.

Questões trabalhistas no Amazonas

Outro episódio citado no levantamento envolve a atuação da Direcional no Amazonas.

Segundo informações atribuídas ao Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT-AM), a empresa foi condenada ao pagamento de indenização por dano moral coletivo após irregularidades identificadas em um canteiro de obras do empreendimento Parque Ponta Negra – Reserva das Águas. O valor mencionado é de R$ 500 mil.

O histórico citado também aponta que, a partir de 2008, canteiros de obras ligados ao grupo Gontijo passaram a ser fiscalizados pelo MPT após o desmoronamento de uma construção que resultou na morte de um trabalhador. Entre 2008 e 2016, conforme o material, foram registradas cinco denúncias envolvendo a atuação da construtora no Amazonas.

Ainda segundo as informações apresentadas, a empresa teria sido obrigada a cumprir uma série de medidas relacionadas à saúde e segurança do trabalho, sob pena de multa em caso de descumprimento.

Em 2018, a Direcional teria firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com previsão de indenização de R$ 100 mil destinada ao custeio de cursos profissionalizantes e compromissos relacionados à saúde e segurança nos locais de trabalho.

Denúncia envolvendo propriedade rural no Acre

Outro caso citado no levantamento envolve uma propriedade rural localizada em Bujari, no Acre, denominada Fazenda Bella Aliança, e os empresários Ricardo Valadares Gontijo e Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo.

Segundo denúncia atribuída ao Ministério Público Federal no Acre, trabalhadores teriam sido submetidos a condições consideradas degradantes, com relatos de ausência de folgas e de pagamentos regulares, além da suposta exigência de assinatura de recibos.

A denúncia também descrevia, segundo o MPF-AC, alojamentos em barracas de lona, chão de terra batida e fornecimento de água proveniente de uma fonte considerada inadequada para consumo.

O caso, entretanto, teve desfecho judicial distinto do conteúdo das acusações: segundo o material, a Justiça do Acre julgou a ação improcedente em 2012, encerrando o processo.

Episódio envolvendo aeronave e agente público

O histórico empresarial também inclui um episódio envolvendo a utilização de uma aeronave particular por um prefeito em uma viagem relacionada a interesses imobiliários.

Segundo o relato apresentado no material, Ricardo Valadares Gontijo teria disponibilizado a aeronave para a viagem. O Ministério Público teria interpretado o episódio como possível vantagem indevida relacionada à atividade empresarial e adotado medidas judiciais contra o agente público.

Ainda segundo o relato, estavam na aeronave o prefeito, um procurador municipal, um lobista e Ricardo Gontijo, em uma viagem relacionada à discussão de áreas destinadas a empreendimentos.

O episódio deve ser apresentado conforme os termos do processo e das decisões judiciais correspondentes, distinguindo-se as acusações formuladas pelo Ministério Público de eventuais fatos posteriormente reconhecidos pela Justiça.

Dependência do Minha Casa Minha Vida e cenário de mercado

A trajetória da Direcional demonstra a importância do Minha Casa Minha Vida para a estratégia da companhia. O programa federal representa uma parcela relevante da atuação da construtora e está diretamente relacionado ao desempenho do segmento de habitação popular.

Ao mesmo tempo, a dependência de políticas públicas, condições de financiamento e orçamento habitacional torna o setor sensível às mudanças no ambiente econômico e político.

A recente queda das ações e o anúncio de um programa de recompra de papéis colocam a companhia diante de um momento relevante para investidores e acionistas. A evolução da cotação, os resultados financeiros e a capacidade de manter participação no Minha Casa Minha Vida serão fatores acompanhados pelo mercado nos próximos períodos.

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