Uma recente inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo, revelou diversas irregularidades na fábrica da Ypê situada em Amparo, São Paulo. As falhas detectadas foram consideradas como possuindo alto risco sanitário pelos órgãos competentes.
A análise da Anvisa destacou “descumprimentos significativos nas etapas críticas do processo produtivo”, que incluem questões relacionadas aos sistemas de controle de qualidade, produção e monitoramento dos produtos. Segundo a agência, as não conformidades identificadas colocam em risco as normas de boas práticas industriais e podem facilitar a contaminação microbiológica dos produtos fabricados. Como resposta a essa situação, foi determinada a retirada de diversos itens da marca do mercado.
Veja as fotos
Leia Também
Anvisa proíbe produtos da marca Ypê; saiba como identificar os lotes suspensos
Anvisa recolhe lotes de sabão líquido de marca famosa para roupas por contaminação
Bactéria encontrada em fábrica da Ypê acende alerta; especialistas explicam riscos
Ypê afirma que produtos são seguros e acredita em reversão da decisão após proibição da Anvisa
Na próxima quarta-feira, dia 13 de maio, a diretoria colegiada da Anvisa irá se reunir para avaliar a situação e decidir se a suspensão dos lotes fabricados pela empresa permanecerá em vigor.
A inspeção também registrou equipamentos utilizados na produção de detergentes e lava-roupas líquidos apresentando sinais evidentes de corrosão.
Além disso, foram observados problemas estruturais em um tanque utilizado para manuseio de lava-louças. O relatório indica que resíduos de produtos devolvidos foram encontrados nas linhas usadas para envase.
Outro ponto crítico abordado no relatório diz respeito aos resultados laboratoriais coletados entre dezembro de 2025 e abril de 2026, onde 80 lotes finais mostraram resultados fora dos padrões microbiológicos aceitáveis, incluindo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Os fiscais afirmaram que esses itens não haviam sido rejeitados pelo setor responsável pelo controle de qualidade e estavam armazenados à espera de uma “definição financeira”.
A conclusão da vistoria pelos órgãos sanitários ressaltou que as irregularidades configuram uma situação “crítica”, caracterizada por um elevado risco à saúde pública, enfatizando a urgência na implementação de medidas corretivas e preventivas por parte da fabricante, sob pena de comprometer a saúde dos consumidores e agravar as sanções sanitárias aplicáveis.
A Anvisa informou que apenas os lotes com numeração finalizada em 1 estão afetados, abrangendo produtos das categorias lava-louças, detergente líquido e desinfetante.
A orientação emitida pelo órgão é clara: consumidores devem interromper imediatamente o uso desses produtos e contatar o serviço ao consumidor da fabricante para receber informações sobre o processo de retorno.
A agência também advertiu que produtos contaminados com bactérias podem causar infecções cutâneas, irritações oculares e problemas respiratórios, especialmente entre grupos vulneráveis como idosos e pessoas imunocomprometidas.
A medida cautelar que suspendeu a produção e comercialização dos lotes foi oficializada pela Anvisa na última quinta-feira (7). No dia seguinte, a Ypê apresentou um recurso administrativo que suspendeu temporariamente os efeitos dessa decisão até nova deliberação pela diretoria colegiada.
A análise final do caso está programada para ocorrer na próxima quarta-feira.
Em nota enviada ao programa Fantástico, a Ypê afirmou que não foram encontradas contaminações nos seus produtos durante a fiscalização. A empresa também mencionou ter mecanismos internos eficazes para identificação e descarte de itens que não atendem aos padrões exigidos.
A fabricante ainda acrescentou que as áreas mostradas nas imagens coletadas durante a fiscalização não têm contato direto com os produtos e fazem parte de um “plano robusto de melhorias”, desenvolvido em colaboração com a Anvisa desde o ano anterior.
Por fim, foi informado que as operações na unidade fabril estão suspensas desde quinta-feira passada, uma ação adotada para acelerar as adequações requisitadas pela agência reguladora.