O aumento significativo da obesidade no Brasil tem gerado preocupação entre os profissionais de saúde pública. Recentes informações do Vigitel, vinculado ao Ministério da Saúde, revelam que aproximadamente 25% dos adultos brasileiros sofrem dessa condição, que é classificada como crônica e multifatorial. Nesse contexto, a demanda por alternativas rápidas, como as conhecidas “canetas emagrecedoras”, tem crescido. No entanto, o uso indiscriminado desses medicamentos pode acarretar riscos, especialmente em casos mais severos. O médico Dr. Marcelo Carneiro, especialista em obesidade e cirurgião bariátrico, comentou sobre a inadequação do uso dessas medicações para todos os casos de obesidade.
Os medicamentos injetáveis têm se tornado cada vez mais populares por proporcionarem resultados rápidos na perda de peso. Contudo, para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40, que são considerados superobesos, é necessário um tratamento que envolva uma abordagem mais complexa. Dr. Marcelo Carneiro ressalta que a administração dessas substâncias deve ser feita com cautela e planejamento estratégico.
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“Os fármacos podem contribuir para o tratamento da obesidade, mas não solucionam a questão por completo. Trata-se de uma doença crônica e quando se encontra em estágio crítico a abordagem é ainda mais delicada. Nesses casos específicos, esses medicamentos podem ser utilizados antes da cirurgia bariátrica para ajudar a alcançar um peso adequado”, acrescenta.
Embora novas substâncias como semaglutida e tirzepatida tenham trazido avanços no tratamento da obesidade, o médico enfatiza que existem limites clínicos quanto à sua eficácia. Em situações mais avançadas da doença, a perda de peso obtida pode não ser suficiente para controlar condições associadas como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono.
“Nos pacientes com estágios mais críticos da doença, a redução de peso alcançada muitas vezes não é suficiente para lidar com as comorbidades comuns nesses casos, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e apneia do sono. Portanto, a cirurgia bariátrica continua sendo uma das opções mais seguras e eficazes”, destaca Marcelo.
Outro aspecto importante a ser considerado é o tempo. Para aqueles que se encontram em situações críticas, adiar um tratamento adequado pode agravar seu estado clínico. A utilização das canetas sem supervisão médica pode até atrasar intervenções mais efetivas como a cirurgia bariátrica.
“Apesar dos resultados rápidos oferecidos pelos análogos de GLP-1, quando lidamos com obesidade severa cada minuto conta e a cirurgia bariátrica se torna um procedimento crucial para melhorar as condições de saúde e aumentar a expectativa de vida”, afirma.
Em vista disso, especialistas sublinham a importância de um tratamento personalizado para a obesidade sob supervisão profissional. A difusão de soluções tidas como “milagrosas” pode gerar expectativas exageradas e prejudicar a saúde dos indivíduos.
“A crescente popularização de alternativas rápidas pode criar falsas esperanças e afetar negativamente a saúde das pessoas. Diante do aumento acelerado da obesidade, é fundamental disseminar informações corretas tanto quanto realizar tratamentos adequados especialmente para aqueles que enfrentam os casos mais graves desta condição”, conclui Marcelo Carneiro.