Arquivo de relações familiares - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/relacoes-familiares/ Mon, 17 Aug 2026 15:47:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 https://campinashoje.com/wp-content/uploads/2024/03/CAMPINAS-HOJE-1-150x150.png Arquivo de relações familiares - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/relacoes-familiares/ 32 32 Depois do Dia dos Pais, o que permanece? https://campinashoje.com/depois-do-dia-dos-pais-o-que-permanece/2026/15062/ Mon, 17 Aug 2026 15:47:50 +0000 https://campinashoje.com/depois-do-dia-dos-pais-o-que-permanece/2026/15062/ Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data Coluna Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos […]

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Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data

Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos abraços, das mensagens, das fotografias e dos presentes, fica uma pergunta: o que realmente permanece quando o Dia dos Pais termina?

Ser pai não é apenas gerar uma vida. É participar dela. É estar presente, ensinar pelo exemplo, oferecer segurança, acolher, orientar e, muitas vezes, aprender junto.

Os filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais presentes, capazes de amar, cuidar, estabelecer limites e reconhecer seus próprios erros. Afinal, muito do que aprendemos na vida vem menos das palavras e mais dos exemplos que recebemos.

Há pais que ensinam por meio de grandes gestos. Outros, por pequenas atitudes que parecem simples: acordar cedo para trabalhar, acompanhar uma tarefa, ouvir uma preocupação, oferecer um abraço ou simplesmente perguntar: “Você está bem?”

Existem também pais que já partiram. Para esses, a data pode trazer saudade, mas também a certeza de que algumas presenças permanecem. Um pai continua vivo nos ensinamentos, nos valores, nas histórias e até nos pequenos gestos que os filhos repetem sem perceber.

Talvez, no futuro, não sejam os presentes que permanecerão na memória. Serão os momentos: o abraço depois de uma derrota, o orgulho diante de uma conquista, o conselho antes de uma decisão e a presença quando mais se precisava dela.

Por isso, o Dia dos Pais não deveria terminar quando o domingo acaba.

Que a homenagem continue na rotina. Que o reconhecimento não espere o próximo agosto. Que possamos dizer “eu te amo”, “obrigado” e “tenho orgulho de você” enquanto ainda temos a oportunidade.

Para quem tem o pai por perto, que haja presença. Para quem é pai, que haja consciência da grandeza desse papel. E, para quem sente saudade, que as lembranças sejam transformadas em gratidão.

Porque as datas passam, mas aquilo que construímos nas relações permanece.

Um pai pode deixar muitas coisas. Mas sua melhor herança será sempre aquilo que um filho carrega dentro de si.

Porque o tempo passa, os presentes se vão e as datas terminam, mas o amor que um pai planta no coração de um filho pode florescer por toda a vida.

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Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem https://campinashoje.com/mae-entre-o-amor-que-acolhe-e-as-marcas-que-permanecem/2026/14371/ Fri, 15 May 2026 10:06:16 +0000 https://campinashoje.com/mae-entre-o-amor-que-acolhe-e-as-marcas-que-permanecem/2026/14371/ Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida. Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é […]

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Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida.

Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é apenas quem cuida é quem, de alguma forma, inaugura em nós a forma de sentir o mundo.

É no olhar materno que aprendemos, ainda sem palavras, se somos vistos, amados e aceitos. É no colo ou na ausência dele que o corpo registra as primeiras impressões de segurança ou de falta. A mãe, portanto, não marca apenas a infância. Ela atravessa a vida inteira, habitando memórias, escolhas e afetos.

Na prática clínica, é possível perceber o quanto esse vínculo inicial ecoa na vida adulta. A forma como alguém ama, se entrega, se protege ou se afasta, muitas vezes carrega traços desse primeiro encontro com o cuidado. E aqui não se trata de buscar culpados, mas de compreender origens. Compreender para libertar, não para aprisionar.

Existe uma beleza possível na imperfeição. A mãe real distante da idealização é aquela que acerta e erra, que ama e também se cansa, que tenta, mesmo quando não sabe como. E é nessa humanidade que mora uma das maiores lições: o amor não é ausência de falhas, mas presença de verdade.

Também é preciso olhar com delicadeza para as mães. Por trás do papel, existe uma mulher que sente, que enfrenta seus próprios conflitos, que carrega histórias que começaram muito antes dos filhos. Muitas vezes, ela ofereceu o que tinha ainda que não tenha sido tudo o que o outro precisava.

Talvez amadurecer seja justamente isso:  reconhecer o que nos foi dado, elaborar o que faltou e escolher, de forma consciente, o que faremos com essa herança emocional. Porque, ainda que a mãe seja o início, ela não precisa ser o limite.

Neste tempo em que tanto se fala sobre maternidade, fica um convite mais profundo: Olhar para essa relação com verdade, compaixão e responsabilidade emocional. Honrar quando houve amor. Ressignificar quando houve dor. E, sobretudo, permitir que o cuidado consigo e com o outro continue sendo reconstruído.

Porque, no fim, a mãe permanece.
Não apenas como lembrança, mas como parte viva de quem nos tornamos.

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