Arquivo de Márcia Bortolanza - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/marcia-bortolanza/ Thu, 03 Sep 2026 09:40:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://campinashoje.com/wp-content/uploads/2024/03/CAMPINAS-HOJE-1-150x150.png Arquivo de Márcia Bortolanza - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/marcia-bortolanza/ 32 32 Agosto Lilás: há dores que ninguém vê, mas toda violência precisa ser reconhecida https://campinashoje.com/agosto-lilas-ha-dores-que-ninguem-ve-mas-toda-violencia-precisa-ser-reconhecida/2026/15172/ Thu, 03 Sep 2026 09:40:46 +0000 https://campinashoje.com/agosto-lilas-ha-dores-que-ninguem-ve-mas-toda-violencia-precisa-ser-reconhecida/2026/15172/ Violência psicológica pode se esconder em comportamentos de controle, humilhação e ameaça; reconhecer os sinais é fundamental para acolher e romper ciclos de abuso Coluna de Marcia Bortolanza   Escritora e Psicóloga Agosto termina. O lilás deixa as campanhas, as fachadas e as publicações. Mas, para muitas mulheres, a violência não termina quando o calendário […]

O post Agosto Lilás: há dores que ninguém vê, mas toda violência precisa ser reconhecida apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Violência psicológica pode se esconder em comportamentos de controle, humilhação e ameaça; reconhecer os sinais é fundamental para acolher e romper ciclos de abuso

Coluna de Marcia Bortolanza  

Escritora e Psicóloga

Agosto termina. O lilás deixa as campanhas, as fachadas e as publicações. Mas, para muitas mulheres, a violência não termina quando o calendário muda.

Ela continua dentro de casa, nas relações e, muitas vezes, escondida atrás de uma aparência de normalidade.

Quando pensamos em violência contra a mulher, ainda é comum imaginarmos hematomas, agressões físicas e marcas visíveis. Mas algumas das feridas mais profundas não aparecem no corpo.

Há mulheres que nunca receberam um tapa, mas são feridas todos os dias.

Por palavras que diminuem. Pelo controle disfarçado de cuidado. Pelo ciúme chamado de amor. Pela fiscalização do celular, das roupas, das amizades, do dinheiro. Pela ameaça, pela humilhação e pela frase repetida tantas vezes que, em algum momento, ela começa a acreditar: “Você não consegue sem mim”.

É assim que muitas formas de violência vão se instalando, devagar e silenciosamente.

Primeiro, ela deixa de encontrar uma amiga para evitar uma discussão. Depois, muda uma roupa. Para de dizer o que pensa. Evita determinados lugares. Aprende a medir palavras. Começa a pedir desculpas por coisas que não fez. Até que, sem perceber, passa a ocupar cada vez menos espaço dentro da própria vida.

Como psicóloga, considero fundamental falarmos sobre essas marcas invisíveis. A violência psicológica atinge justamente um dos lugares mais importantes do ser humano: a percepção de si mesmo.

Quando alguém é constantemente desqualificado, pode começar a duvidar da própria capacidade, das próprias escolhas e até daquilo que sente. E é justamente aí que precisamos substituir julgamento por acolhimento.

Ainda ouvimos: “Mas por que ela não vai embora?”.

Talvez essa seja a pergunta errada.

Quem observa de fora nem sempre conhece o medo que existe por dentro. Há dependência financeira ou emocional, filhos, ameaças, vergonha, isolamento e uma autoestima que pode ter sido destruída ao longo de anos.

Por isso, talvez devêssemos perguntar: “Como podemos ajudá-la a perceber que existe uma saída?”.

Precisamos falar sobre violência antes que ela se transforme em agressão física. Precisamos ensinar nossas meninas a reconhecer seu valor e nossos meninos a compreender que amar alguém nunca significará possuir alguém.

Amor não controla.

Amor não humilha.

Amor não ameaça.

Amor não provoca medo.

Uma relação saudável não exige que uma mulher abandone quem é para conseguir permanecer nela.

E essa reflexão não pertence somente às mulheres. Pertence aos homens, às famílias, às escolas, às empresas, às instituições e a todos nós. Combater a violência também significa não naturalizar comportamentos abusivos, não silenciar diante de uma situação evidente e saber acolher quem encontra coragem para pedir ajuda.

O Agosto Lilás termina, mas nossa responsabilidade não pode terminar com ele.

Que o lilás não seja apenas a cor de agosto. Que seja um lembrete permanente de respeito, dignidade e liberdade.

Porque talvez existam, muito perto de nós, mulheres sorrindo enquanto tentam esconder dores que ninguém vê.

Que saibamos enxergá-las.

Que saibamos ouvi-las.

E, principalmente, que nenhuma mulher precise esperar que a violência deixe marcas em seu corpo para entender que aquilo que machuca sua dignidade também precisa parar.

Nenhuma mulher nasceu para viver com medo. E nenhuma forma de amor deveria exigir silêncio para sobreviver.

O post Agosto Lilás: há dores que ninguém vê, mas toda violência precisa ser reconhecida apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Depois do Dia dos Pais, o que permanece? https://campinashoje.com/depois-do-dia-dos-pais-o-que-permanece/2026/15062/ Mon, 17 Aug 2026 15:47:50 +0000 https://campinashoje.com/depois-do-dia-dos-pais-o-que-permanece/2026/15062/ Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data Coluna Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos […]

O post Depois do Dia dos Pais, o que permanece? apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data

Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos abraços, das mensagens, das fotografias e dos presentes, fica uma pergunta: o que realmente permanece quando o Dia dos Pais termina?

Ser pai não é apenas gerar uma vida. É participar dela. É estar presente, ensinar pelo exemplo, oferecer segurança, acolher, orientar e, muitas vezes, aprender junto.

Os filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais presentes, capazes de amar, cuidar, estabelecer limites e reconhecer seus próprios erros. Afinal, muito do que aprendemos na vida vem menos das palavras e mais dos exemplos que recebemos.

Há pais que ensinam por meio de grandes gestos. Outros, por pequenas atitudes que parecem simples: acordar cedo para trabalhar, acompanhar uma tarefa, ouvir uma preocupação, oferecer um abraço ou simplesmente perguntar: “Você está bem?”

Existem também pais que já partiram. Para esses, a data pode trazer saudade, mas também a certeza de que algumas presenças permanecem. Um pai continua vivo nos ensinamentos, nos valores, nas histórias e até nos pequenos gestos que os filhos repetem sem perceber.

Talvez, no futuro, não sejam os presentes que permanecerão na memória. Serão os momentos: o abraço depois de uma derrota, o orgulho diante de uma conquista, o conselho antes de uma decisão e a presença quando mais se precisava dela.

Por isso, o Dia dos Pais não deveria terminar quando o domingo acaba.

Que a homenagem continue na rotina. Que o reconhecimento não espere o próximo agosto. Que possamos dizer “eu te amo”, “obrigado” e “tenho orgulho de você” enquanto ainda temos a oportunidade.

Para quem tem o pai por perto, que haja presença. Para quem é pai, que haja consciência da grandeza desse papel. E, para quem sente saudade, que as lembranças sejam transformadas em gratidão.

Porque as datas passam, mas aquilo que construímos nas relações permanece.

Um pai pode deixar muitas coisas. Mas sua melhor herança será sempre aquilo que um filho carrega dentro de si.

Porque o tempo passa, os presentes se vão e as datas terminam, mas o amor que um pai planta no coração de um filho pode florescer por toda a vida.

O post Depois do Dia dos Pais, o que permanece? apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde https://campinashoje.com/maio-laranja-e-a-urgencia-de-enxergar-o-que-o-silencio-esconde/2026/14497/ Wed, 27 May 2026 20:38:49 +0000 https://campinashoje.com/maio-laranja-e-a-urgencia-de-enxergar-o-que-o-silencio-esconde/2026/14497/ Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza alerta para os impactos emocionais da violência infantil e destaca a importância da escuta, do acolhimento e da proteção permanente às crianças Coluna de Marcia Bortolanza Existem dores que não sabem pedir ajuda.A dor de uma criança, muitas vezes, é silenciosa. O Maio Laranja surge como um movimento de conscientização […]

O post Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza alerta para os impactos emocionais da violência infantil e destaca a importância da escuta, do acolhimento e da proteção permanente às crianças

Coluna de Marcia Bortolanza

Existem dores que não sabem pedir ajuda.
A dor de uma criança, muitas vezes, é silenciosa.

O Maio Laranja surge como um movimento de conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, mas também como um alerta para algo que precisa ser discutido durante o ano inteiro: a necessidade de construirmos uma infância verdadeiramente protegida.

Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas se escondem atrás de mudanças de comportamento, crises emocionais, medo excessivo, dificuldade de socialização, ansiedade, queda no rendimento escolar ou um silêncio repentino que ninguém consegue compreender.

A criança nem sempre consegue explicar o que sente. Muitas vezes, ela sequer entende o que está acontecendo. Por isso, o papel dos adultos é fundamental. Escutar, observar, acolher e acreditar são atitudes que podem interromper ciclos profundos de sofrimento.

Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente, mas emocionalmente distraída. E isso também exige atenção. Crianças expostas precocemente à internet, redes sociais e ambientes virtuais sem supervisão tornam-se mais vulneráveis a diferentes formas de violência emocional e exploração.

A proteção infantil começa dentro de casa, nos vínculos de confiança, na presença afetiva e no diálogo constante. Uma criança emocionalmente acolhida desenvolve mais segurança para falar sobre desconfortos, medos e situações que a fazem sofrer.

Do ponto de vista psicológico, a violência na infância pode impactar toda a construção emocional do indivíduo. Muitas inseguranças, medos, dificuldades afetivas e sofrimentos na vida adulta têm origem em feridas emocionais não cuidadas durante os primeiros anos de vida.

Precisamos romper com a cultura do silêncio. Criança não inventa dor. Criança manifesta dor.

O Maio Laranja não deve provocar apenas comoção momentânea, mas consciência permanente. Proteger a infância é uma responsabilidade coletiva. É dever da família, da escola, das instituições e de toda a sociedade.

Porque toda criança merece crescer em um ambiente onde o medo não faça parte da rotina e onde o amor seja sempre maior que qualquer forma de violência.

O post Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem https://campinashoje.com/mae-entre-o-amor-que-acolhe-e-as-marcas-que-permanecem/2026/14371/ Fri, 15 May 2026 10:06:16 +0000 https://campinashoje.com/mae-entre-o-amor-que-acolhe-e-as-marcas-que-permanecem/2026/14371/ Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida. Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é […]

O post Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida.

Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é apenas quem cuida é quem, de alguma forma, inaugura em nós a forma de sentir o mundo.

É no olhar materno que aprendemos, ainda sem palavras, se somos vistos, amados e aceitos. É no colo ou na ausência dele que o corpo registra as primeiras impressões de segurança ou de falta. A mãe, portanto, não marca apenas a infância. Ela atravessa a vida inteira, habitando memórias, escolhas e afetos.

Na prática clínica, é possível perceber o quanto esse vínculo inicial ecoa na vida adulta. A forma como alguém ama, se entrega, se protege ou se afasta, muitas vezes carrega traços desse primeiro encontro com o cuidado. E aqui não se trata de buscar culpados, mas de compreender origens. Compreender para libertar, não para aprisionar.

Existe uma beleza possível na imperfeição. A mãe real distante da idealização é aquela que acerta e erra, que ama e também se cansa, que tenta, mesmo quando não sabe como. E é nessa humanidade que mora uma das maiores lições: o amor não é ausência de falhas, mas presença de verdade.

Também é preciso olhar com delicadeza para as mães. Por trás do papel, existe uma mulher que sente, que enfrenta seus próprios conflitos, que carrega histórias que começaram muito antes dos filhos. Muitas vezes, ela ofereceu o que tinha ainda que não tenha sido tudo o que o outro precisava.

Talvez amadurecer seja justamente isso:  reconhecer o que nos foi dado, elaborar o que faltou e escolher, de forma consciente, o que faremos com essa herança emocional. Porque, ainda que a mãe seja o início, ela não precisa ser o limite.

Neste tempo em que tanto se fala sobre maternidade, fica um convite mais profundo: Olhar para essa relação com verdade, compaixão e responsabilidade emocional. Honrar quando houve amor. Ressignificar quando houve dor. E, sobretudo, permitir que o cuidado consigo e com o outro continue sendo reconstruído.

Porque, no fim, a mãe permanece.
Não apenas como lembrança, mas como parte viva de quem nos tornamos.

O post Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
O fim do BBB e o espelho emocional que ele deixa para todos nós https://campinashoje.com/o-fim-do-bbb-e-o-espelho-emocional-que-ele-deixa-para-todos-nos/2026/14173/ Wed, 22 Apr 2026 21:06:56 +0000 https://campinashoje.com/o-fim-do-bbb-e-o-espelho-emocional-que-ele-deixa-para-todos-nos/2026/14173/ Coluna aborda como o reality show ultrapassa o entretenimento e expõe inseguranças, afetos e a busca pela autenticidade dentro e fora das câmeras Coluna Por Marcia Bortolanza Escritora e Psicóloga O fim do Big Brother Brasil sempre provoca uma sensação curiosa: silêncio. Depois de meses de intensidade, debates e envolvimento emocional, a casa silencia e […]

O post O fim do BBB e o espelho emocional que ele deixa para todos nós apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Coluna aborda como o reality show ultrapassa o entretenimento e expõe inseguranças, afetos e a busca pela autenticidade dentro e fora das câmeras

Coluna Por Marcia Bortolanza

Escritora e Psicóloga

O fim do Big Brother Brasil sempre provoca uma sensação curiosa: silêncio. Depois de meses de intensidade, debates e envolvimento emocional, a casa silencia e fica a pergunta: O que permanece quando o espetáculo termina?

Do ponto de vista psicológico, o BBB é uma vitrine poderosa do comportamento humano. Ali, emoções são aceleradas, relações são testadas e máscaras dificilmente permanecem intactas. O confinamento revela inseguranças, carências, necessidade de aprovação e, principalmente, a dificuldade que muitos têm de sustentar a própria verdade.

O público também vive esse processo. Ao assistir, cada pessoa se identifica e projeta suas próprias experiências, escolhe seus favoritos, rejeita comportamentos e se reconhece em situações de conflito, afeto ou solidão. O reality deixa de ser apenas entretenimento e passa a funcionar como um espelho emocional.

Quando a final chega, não há apenas um vencedor, há também o encerramento de uma identificação coletiva. Surge então o vazio, porque a mente humana se apega a narrativas, cria rotina afetiva e transforma histórias alheias em parte do próprio cotidiano.

Para quem sai da casa, o desafio é ainda maior. Lidar com fama repentina, críticas públicas e a reconstrução da identidade fora das câmeras exige equilíbrio emocional e maturidade. Afinal, quem somos sem plateia?

Talvez essa seja a grande lição do BBB: a verdadeira vitória não está no prêmio, mas na capacidade de sair inteiro, consciente e fiel a si mesmo.

Porque, no fim, todos nós temos um momento em que o jogo acaba e resta apenas a coragem de encarar quem realmente somos.

O post O fim do BBB e o espelho emocional que ele deixa para todos nós apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Para Márcia Bortolanza, palavras têm poder de construir ou marcar profundamente https://campinashoje.com/para-marcia-bortolanza-palavras-tem-poder-de-construir-ou-marcar-profundamente/2026/14065/ Mon, 13 Apr 2026 07:22:57 +0000 https://campinashoje.com/para-marcia-bortolanza-palavras-tem-poder-de-construir-ou-marcar-profundamente/2026/14065/ Artigo destaca a responsabilidade emocional na comunicação e o papel da fala nos vínculos humanos Coluna por Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga A fala é muito mais do que um instrumento de comunicação. Ela é extensão do que sentimos, do que pensamos e, muitas vezes, do que ainda nem conseguimos compreender completamente dentro de nós. Cada […]

O post Para Márcia Bortolanza, palavras têm poder de construir ou marcar profundamente apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Artigo destaca a responsabilidade emocional na comunicação e o papel da fala nos vínculos humanos

Coluna por Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

A fala é muito mais do que um instrumento de comunicação. Ela é extensão do que sentimos, do que pensamos e, muitas vezes, do que ainda nem conseguimos compreender completamente dentro de nós. Cada palavra carrega uma energia, uma intenção e, sobretudo, uma carga afetiva capaz de construir ou ferir.

Não falamos apenas com a boca, falamos com a nossa história. As experiências vividas, as dores, os afetos, as crenças e até os silêncios moldam o tom, a escolha das palavras e a forma como nos expressamos. Por isso, duas pessoas podem dizer a mesma frase, mas transmitir sentimentos completamente diferentes.

A carga afetiva da fala está justamente nesse invisível que acompanha o que é dito. É o que transforma um simples “estou aqui” em acolhimento verdadeiro ou em ausência disfarçada. É o que faz uma palavra de incentivo impulsionar alguém ou, ao contrário, uma crítica desmedida marcar profundamente uma vida.

No campo das relações, a fala tem um papel estruturante. Ela aproxima, fortalece vínculos, cria pontes. Mas também pode afastar, gerar ruídos e abrir distâncias difíceis de reparar. Muitas feridas emocionais não nascem de grandes acontecimentos, mas de palavras repetidas, ditas sem cuidado, carregadas de julgamento ou indiferença.

Por outro lado, a palavra também é uma das maiores ferramentas de cura. Quando usada com consciência, empatia e verdade, ela acolhe, orienta, encoraja e transforma. Uma fala afetuosa pode reorganizar sentimentos, trazer clareza em momentos de confusão e devolver a alguém a sensação de valor e pertencimento.

É importante compreender que não existe neutralidade na fala. Mesmo o silêncio comunica. Mesmo a ausência de palavras tem significado afetivo. Por isso, desenvolver consciência sobre como falamos é também um exercício de responsabilidade emocional.

Falar bem não é falar bonito, é falar com intenção. É alinhar palavra e sentimento. É escolher construir, e não ferir. É compreender que aquilo que dizemos não termina em quem fala, mas continua ecoando em quem escuta.

Talvez o grande convite seja este: antes de falar, sentir. Antes de responder, perceber. E, acima de tudo, lembrar que cada palavra tem o poder de deixar marcas — algumas passageiras, outras permanentes.

Que nossas palavras sejam mais pontes do que muros. Mais abrigo do que distância. Porque, no fim, aquilo que dizemos revela não apenas o que pensamos, mas quem somos.

Palavras não são apenas ditas, elas são sentidas, guardadas e, muitas vezes, jamais esquecidas.

O post Para Márcia Bortolanza, palavras têm poder de construir ou marcar profundamente apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Psicóloga Márcia Bortolanza propõe reflexão sobre a força feminina além das datas simbólicas https://campinashoje.com/psicologa-marcia-bortolanza-propoe-reflexao-sobre-a-forca-feminina-alem-das-datas-simbolicas/2026/13924/ Mon, 30 Mar 2026 09:51:01 +0000 https://campinashoje.com/psicologa-marcia-bortolanza-propoe-reflexao-sobre-a-forca-feminina-alem-das-datas-simbolicas/2026/13924/ Coluna destaca a importância de reconhecer o protagonismo das mulheres de forma contínua, para além do mês de março Coluna por Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga Março se despede com a delicadeza de quem deixa marcas profundas. É um mês que não passa despercebido — ele permanece. Permanece nas reflexões, nas conquistas celebradas e, principalmente, na […]

O post Psicóloga Márcia Bortolanza propõe reflexão sobre a força feminina além das datas simbólicas apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>
Coluna destaca a importância de reconhecer o protagonismo das mulheres de forma contínua, para além do mês de março

Coluna por Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

Março se despede com a delicadeza de quem deixa marcas profundas. É um mês que não passa despercebido — ele permanece. Permanece nas reflexões, nas conquistas celebradas e, principalmente, na consciência de que ser mulher é um movimento contínuo de força, sensibilidade e transformação.

Ao findar este ciclo, fica o reconhecimento de tantas histórias lembradas, valorizadas e compartilhadas. Histórias de mulheres que romperam barreiras, sustentaram lares, lideraram mudanças e que, mesmo diante das dificuldades, não desistiram de si mesmas. Cada trajetória carrega uma coragem única, muitas vezes silenciosa, mas profundamente transformadora.

Mas fica também um convite: que o respeito, a admiração e as oportunidades não se limitem a março. Que estejam presentes todos os dias, em cada ambiente, em cada decisão. Valorizar a mulher é reconhecer sua potência, sua inteligência, sua intuição e sua capacidade de construir caminhos onde antes não havia.

Que cada mulher também se permita olhar para si com mais gentileza e verdade. Reconhecer suas próprias conquistas, honrar sua história e acolher suas imperfeições é um ato de coragem e amor. Porque a força feminina não está apenas nas grandes realizações, mas também na capacidade de recomeçar, de se reinventar e de seguir em frente, mesmo quando o caminho parece incerto.

Que possamos seguir incentivando sonhos, fortalecendo vozes e criando espaços mais justos e acolhedores. Porque, quando uma mulher se reconhece e é reconhecida, ela floresce — e, ao florescer, inspira outras a fazerem o mesmo.

Março pode estar chegando ao fim, mas a força feminina segue viva, constante, escrevendo novos começos, abrindo novos caminhos e lembrando ao mundo que o protagonismo feminino não tem prazo para terminar.

A força feminina não pertence a um mês — ela é presença constante que transforma o mundo todos os dias.

O post Psicóloga Márcia Bortolanza propõe reflexão sobre a força feminina além das datas simbólicas apareceu primeiro em Campinas Hoje.

]]>