Arquivo de educação - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/educacao/ Fri, 02 Oct 2026 09:35:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://campinashoje.com/wp-content/uploads/2024/03/CAMPINAS-HOJE-1-150x150.png Arquivo de educação - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/educacao/ 32 32 Rumo a Paris, delegação brasileira busca referências para o futuro da educação superior https://campinashoje.com/rumo-a-paris-delegacao-brasileira-busca-referencias-para-o-futuro-da-educacao-superior/2026/15375/ Fri, 02 Oct 2026 09:35:50 +0000 https://campinashoje.com/rumo-a-paris-delegacao-brasileira-busca-referencias-para-o-futuro-da-educacao-superior/2026/15375/ Janguiê Diniz destaca diferenças entre Brasil e França nos indicadores educacionais e aposta em intercâmbio, internacionalização e parcerias acadêmicas Coluna Janguiê Diniz No próximo dia 9 de outubro, embarco, juntamente com outras 40 lideranças da educação superior privada brasileira, com destino à capital francesa: Paris. Embora a Cidade Luz seja, por si só, um convite […]

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Janguiê Diniz destaca diferenças entre Brasil e França nos indicadores educacionais e aposta em intercâmbio, internacionalização e parcerias acadêmicas

Coluna Janguiê Diniz

No próximo dia 9 de outubro, embarco, juntamente com outras 40 lideranças da educação superior privada brasileira, com destino à capital francesa: Paris. Embora a Cidade Luz seja, por si só, um convite à visita, as razões para atravessar o Atlântico vão além dos charmosos cafés, das atrações mundialmente famosas e da pulsante vida cultural. O que mobiliza a comitiva é a oportunidade de participar de uma imersão voltada ao intercâmbio de conhecimentos e cooperação com instituições de ensino superior de um país que se destaca na oferta desse nível educacional.

Até o dia 18, a 8ª Delegação ABMES Internacional – France Experience vivenciará oportunidades únicas e conhecerá iniciativas de um país onde a formação superior alcança uma parcela da população muito maior que no Brasil. O relatório Education at a Glance 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), dimensiona essa distância: enquanto a França supera a média verificada pela entidade, o Brasil ocupa uma das últimas posições entre os países analisados.

Entre os franceses de 25 a 64 anos, 45% têm educação superior completa (a média da OCDE é 43%). No Brasil, são 22%. Os dados se referem a 2025 para a França e a 2024 para o Brasil, conforme a disponibilidade registrada no relatório. Mesmo com essa diferença temporal, o contraste é expressivo: proporcionalmente, a formação superior alcança aproximadamente o dobro de adultos no país europeu. Mais do que posições em uma tabela, esses números traduzem diferentes possibilidades de acesso ao conhecimento e à qualificação.

A composição dessa formação também merece atenção. Na França, 17% dos adultos de 25 a 64 anos têm o mestrado como nível mais elevado de escolaridade; no Brasil, apenas 1%. A diferença convida a discutir como ampliar percursos acadêmicos que aproximem graduação, pós-graduação e pesquisa. Para as instituições brasileiras, conhecer outras formas de organizar essa continuidade pode ajudar a identificar caminhos para formar mais pesquisadores e ampliar a participação da educação superior na produção de conhecimento.

Essa leitura, porém, precisa considerar que os indicadores não resumem a capacidade de cada instituição nem explicam, isoladamente, as razões dos resultados. Aprender com a França exige compreender as condições em que suas experiências funcionam e avaliar o que pode ser adaptado à realidade brasileira. A imersão ganha relevância justamente por permitir que a comparação estatística se transforme em conhecimento e cooperação, em uma troca benéfica para a educação superior de ambos os países.

Nesse sentido, o roteiro inclui visitas à Universidade Paris Cité, à SKEMA Business School, ao Institut Pasteur e ao Le Cordon Bleu, além da Universcience, na Cidade das Ciências e da Indústria, em La Villette. Também estamos em fase final de negociação para garantir a visita à segunda universidade mais antiga do mundo: Sorbonne. Esses encontros abrem espaço para que instituições brasileiras e francesas identifiquem interesses comuns e construam parcerias voltadas à mobilidade acadêmica e ao desenvolvimento de pesquisas conjuntas.

As visitas às sedes da OCDE e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e à Embaixada do Brasil em Paris, onde também estarão presentes a Conférence des Grandes Écoles (CGE) e a Campus France, acrescentam uma dimensão institucional à missão. São oportunidades para ampliar a compreensão das políticas e dos mecanismos que orientam a educação superior e sua internacionalização.

A internacionalização, inclusive, é uma das agendas centrais da delegação. Em 2024, estudantes estrangeiros representavam aproximadamente 10% das matrículas da educação superior francesa. No Brasil, a proporção era de apenas 0,3%, segundo a OCDE. Embora as categorias tenham diferenças de definição, os números mostram quanto espaço existe para ampliar a presença brasileira nas trocas acadêmicas e tornar nossas instituições destinos mais procurados por estudantes de outros países.

Essa cooperação pode beneficiar os dois lados. Para o Brasil, significa ampliar o contato com outras práticas acadêmicas e redes de pesquisa. Para a França, aprofundar vínculos com instituições brasileiras pode diversificar parcerias, perspectivas e oportunidades de investigação. O intercâmbio de estudantes e professores e o desenvolvimento de projetos conjuntos devem ser tratados como possibilidades de construção compartilhada, com responsabilidades e benefícios para ambas as partes.

É com essa disposição que a France Experience pode contribuir para os próximos passos da educação superior brasileira. Reconhecer a distância entre os indicadores deve estimular ambição e compromisso com melhores resultados. A delegação leva à França lideranças capazes de aprender, compartilhar experiências e construir parcerias. Seu maior legado poderá estar nos vínculos que aproximem salas de aula, professores e pesquisadores dos dois países, ampliando oportunidades de formação e a capacidade de produzir conhecimento em conjunto. 

Paris, estamos a caminho!

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Em tempos de tantas telas, 760 mil pessoas escolhem os livros na Bienal de São Paulo https://campinashoje.com/em-tempos-de-tantas-telas-760-mil-pessoas-escolhem-os-livros-na-bienal-de-sao-paulo/2026/15335/ Tue, 29 Sep 2026 08:13:44 +0000 https://campinashoje.com/em-tempos-de-tantas-telas-760-mil-pessoas-escolhem-os-livros-na-bienal-de-sao-paulo/2026/15335/ Número de visitantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reforça a permanência da leitura em meio à expansão das tecnologias e das novas formas de consumo de informação Coluna Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga “Enquanto houver alguém disposto a abrir um livro, haverá uma janela aberta para enxergar o mundo de outra maneira.” […]

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Número de visitantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reforça a permanência da leitura em meio à expansão das tecnologias e das novas formas de consumo de informação

Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

“Enquanto houver alguém disposto a abrir um livro, haverá uma janela aberta para enxergar o mundo de outra maneira.” Marcia Bortolanza

Em uma época em que disputamos nossa atenção com telas, notificações, vídeos de poucos segundos e uma quantidade quase infinita de informações, um número merece nossa atenção: 760 mil pessoas passaram pela 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Foram dez dias de encontro com livros, autores, histórias e ideias. Mais do que um recorde de público, esse número nos convida a refletir sobre algo que talvez estejamos subestimando: o livro continua vivo. E muito vivo!

Para mim, esta Bienal teve também um significado muito especial. Estive novamente presente, agora com “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido” e que alcançou a marca de best-seller, e também com o lançamento da Trilogia da Solidariedade, ao lado da editora Literare Books.

Voltar à Bienal levando um livro que nasceu de uma convicção tão profunda,  a de que a solidariedade também pode ser ensinada desde a infância e vê-lo alcançar tantos leitores foi uma experiência que ultrapassou qualquer resultado editorial. Foi perceber que uma mensagem na qual acredito encontrou eco em outras pessoas.

A “Trilogia da Solidariedade” reúne três livros que nasceram em momentos diferentes, mas carregam o mesmo fio condutor: o poder transformador da solidariedade. Uma trajetória que começou com “E depois que o coração aperta?”, passou por “Menos espelhos e mais janelas” e chegou a “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido”. Três livros, um mesmo propósito: do coração para atitudes concretas.

A tecnologia transformou a maneira como nos comunicamos, trabalhamos e buscamos conhecimento. A inteligência artificial já faz parte do nosso cotidiano e continuará modificando nossa relação com a informação. Mas há algo na experiência da leitura que nenhuma velocidade consegue substituir: o encontro silencioso entre aquilo que alguém escreveu e aquilo que o leitor sente ao ler.

Como psicóloga, vejo a leitura também como um exercício de humanidade. Quando acompanhamos uma história, entramos por alguns instantes na realidade do outro. Conhecemos dores que não são nossas, realidades diferentes e conflitos que talvez nunca tenhamos vivido. Exercitamos imaginação, concentração, empatia e reflexão.

E como escritora, estar novamente na Bienal reforçou em mim uma certeza: escrever é acreditar que uma ideia pode atravessar distâncias e chegar a alguém que talvez nunca encontremos pessoalmente. É colocar uma parte de nossas experiências, inquietações e aprendizados em palavras e permitir que elas sigam seu próprio caminho.

Talvez por isso seja tão bonito observar milhares de jovens, crianças, adultos e famílias caminhando entre livros. Em um mundo que tantas vezes nos convida à superficialidade e à pressa, escolher um livro também é escolher permanecer um pouco mais.

A Bienal terminou, as portas se fecharam e os estandes foram desmontados. Mas o mais importante começa justamente depois: quando cada livro comprado chega a uma casa, é aberto e encontra seu leitor.

Porque uma Bienal não termina quando o último visitante vai embora.

Ela continua em cada página virada, em cada criança que descobre o prazer de ler, em cada jovem que encontra uma história na qual se reconhece e em cada adulto que percebe que ainda pode mudar de ideia, ampliar seu olhar ou simplesmente se emocionar.

Talvez seja essa uma das maiores forças dos livros: eles não mudam apenas estantes, “Eles podem mudar pessoas”. Até a próxima!

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Valéria Bolsonaro destina mais de R$ 20 milhões em emendas para Campinas https://campinashoje.com/valeria-bolsonaro-destina-mais-de-r-20-milhoes-em-emendas-para-campinas/2026/15286/ Wed, 16 Sep 2026 15:35:31 +0000 https://campinashoje.com/valeria-bolsonaro-destina-mais-de-r-20-milhoes-em-emendas-para-campinas/2026/15286/ Deputada estadual direcionou R$ 12,58 milhões exclusivamente para a Saúde e também destinou recursos para segurança, mulheres, infraestrutura e educação A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) destinou mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares para Campinas, município onde vive desde 1985 e onde atuou durante 32 anos como professora da rede pública de ensino. […]

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Deputada estadual direcionou R$ 12,58 milhões exclusivamente para a Saúde e também destinou recursos para segurança, mulheres, infraestrutura e educação

A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) destinou mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares para Campinas, município onde vive desde 1985 e onde atuou durante 32 anos como professora da rede pública de ensino. Do montante, R$ 12,58 milhões foram destinados exclusivamente à área da Saúde, com recursos voltados ao atendimento da população.

Além da Saúde, os recursos destinados pela parlamentar contemplaram outras áreas. Foram R$ 3,75 milhões para Segurança Pública, R$ 1,5 milhão para Políticas para a Mulher, R$ 1,2 milhão para Infraestrutura, R$ 500 mil para Educação, R$ 300 mil para Direitos da Pessoa com Deficiência e R$ 200 mil para Assistência Social.

Segundo Valéria, a experiência de mais de três décadas na educação pública influencia as prioridades de sua atuação parlamentar. “Eu vivi no meio do povo, conheço as dificuldades de quem depende do SUS, da escola pública, da segurança. Por isso a Saúde é sempre prioridade nas emendas que destino para Campinas”, afirma.

Reeleita em 2022 com 131.557 votos, Valéria Bolsonaro é candidata à reeleição para um novo mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Antes de retornar à Assembleia, a deputada comandou, entre abril de 2024 e o final de 2025, a Secretaria de Políticas para a Mulher do Governo de São Paulo, a convite do governador Tarcísio de Freitas.

Durante o período à frente da secretaria, Valéria coordenou o programa SP Por Todas, iniciativa estadual voltada à proteção e ao empreendedorismo feminino. Entre as ações desenvolvidas estiveram o ônibus SP Por Todas, com serviços de acolhimento, escuta qualificada e atendimento psicológico e social, além das carretas de Empreendedorismo e Odontológica, que percorreram municípios do interior paulista oferecendo serviços gratuitos.

Também esteve entre as iniciativas sob sua gestão o programa Mães em Diálogo, direcionado a mães de crianças com deficiência ou autismo. Em 2025, ainda como secretária, Valéria lançou o livro “Para Todas as Mulheres do Mundo”, reunindo histórias de mulheres que enfrentaram dificuldades e construíram novas trajetórias.

No final de 2025, a parlamentar deixou a secretaria e retomou o mandato na Alesp, onde já havia presidido a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Durante sua atuação no Legislativo paulista, também ocupou a vice-presidência da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência e destinou recursos para hospitais, Santas Casas, APAEs e escolas de diferentes municípios do estado.

Valéria também coordenou frentes parlamentares relacionadas ao combate ao câncer, à defesa das pessoas com deficiência e doenças raras e ao enfrentamento do tráfico de pessoas, com atenção especial a mulheres e crianças.

Candidata à reeleição, Valéria apresenta como compromissos para um próximo mandato as áreas de Educação e Saúde, o apoio às famílias de crianças com deficiência ou autismo, a proteção da mulher e o empreendedorismo feminino, com foco na autonomia financeira das mulheres.

Filiada ao Partido Liberal, a deputada se identifica politicamente com uma pauta de direita e destaca entre suas bandeiras a defesa da família, da liberdade, do trabalho e da segurança. Sua trajetória política é precedida por 32 anos de atuação como professora da rede pública, período em que trabalhou da educação infantil à alfabetização de adultos.

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IA na educação: entre a inovação e a responsabilidade https://campinashoje.com/ia-na-educacao-entre-a-inovacao-e-a-responsabilidade/2026/15210/ Wed, 09 Sep 2026 14:32:19 +0000 https://campinashoje.com/ia-na-educacao-entre-a-inovacao-e-a-responsabilidade/2026/15210/ Diretrizes do CNE estabelecem parâmetros para o uso da inteligência artificial nas escolas e universidades, com foco em aprendizagem, ética e proteção de estudantes Coluna Janguiê Diniz A inteligência artificial (IA) já faz parte da realidade educacional. Ela está presente nas pesquisas realizadas pelos estudantes, na preparação de aulas e em diferentes atividades acadêmicas e […]

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Diretrizes do CNE estabelecem parâmetros para o uso da inteligência artificial nas escolas e universidades, com foco em aprendizagem, ética e proteção de estudantes

Coluna Janguiê Diniz

A inteligência artificial (IA) já faz parte da realidade educacional. Ela está presente nas pesquisas realizadas pelos estudantes, na preparação de aulas e em diferentes atividades acadêmicas e administrativas. Nesse contexto, proibir a sua utilização seria tão inadequado quanto permitir a sua aplicação sem critérios claros e objetivos. Por isso, a aprovação, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), das Diretrizes Orientadoras para a Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira representa um passo fundamental para adequar a formação oferecida no país às exigências e evoluções do nosso tempo.

O documento abrange todos os níveis e formatos de ensino. Seu mérito inicial está em reconhecer que a tecnologia deve permanecer subordinada às finalidades educacionais. A IA pode ampliar possibilidades de aprendizagem, apoiar o trabalho docente, favorecer a acessibilidade e contribuir para a gestão, mas não deve substituir o julgamento, a responsabilidade e a mediação das pessoas.

Ao mesmo tempo, o documento não ignora que os estudantes precisam ser preparados para compreender a tecnologia que já influencia a vida social e profissional. A proposta prevê a integração progressiva da inteligência artificial à educação digital, midiática e computacional. Isso envolve conhecer o papel dos dados, identificar riscos, limitações e vieses, reconhecer conteúdos sintéticos e situações de desinformação, verificar fontes e desenvolver autonomia intelectual, cidadania digital e comportamento ético.

Na educação básica, as diretrizes estabelecem cuidados com as crianças e os adolescentes. Até o 5º ano, os estudantes não deverão ter acesso direto, autônomo ou sem supervisão a ferramentas de IA, especialmente às aplicações generativas, conversacionais, preditivas ou adaptativas. Quando utilizadas, elas deverão integrar atividades mediadas por profissionais da educação, com proteção reforçada dos dados pessoais e comunicação às famílias.

Na educação superior, os desdobramentos são ainda mais amplos. As instituições terão o desafio de integrar a IA à formação acadêmica sem permitir que ela enfraqueça a autoria, o pensamento crítico ou a responsabilidade intelectual. A tecnologia poderá ser estudada em si mesma e empregada como apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão, respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais, os projetos pedagógicos dos cursos e as particularidades das diferentes áreas do conhecimento.

Trata-se de um encaminhamento essencial, pois preparar os estudantes para o mercado de trabalho contemporâneo passa, necessariamente, pelo desenvolvimento da capacidade de compreender as possibilidades e limitações desses sistemas, utilizar dados de maneira responsável e reconhecer as implicações éticas, jurídicas e sociais de suas escolhas.

Nesse processo, as licenciaturas ocupam posição estratégica. A formação dos futuros professores deverá abordar o letramento digital docente, o uso pedagógico das tecnologias emergentes, a análise crítica de dados educacionais, a avaliação apoiada por recursos digitais e os aspectos éticos envolvidos. Sempre que possível, esses conhecimentos deverão dialogar com o estágio supervisionado, a extensão e a pesquisa.

Também caberá às instituições de educação superior estabelecer políticas para o uso da IA no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão acadêmica. Será necessário definir parâmetros sobre transparência, autoria, integridade acadêmica, proteção de direitos, declaração do uso da tecnologia e prevenção de condutas incompatíveis com a honestidade intelectual.

A classificação das aplicações em diferentes níveis de risco é outro avanço. Quanto maior o potencial de uma ferramenta interferir em avaliações, certificações, permanência, seleção, benefícios ou sanções, mais rigorosas deverão ser as exigências de transparência, documentação, supervisão e controle. 

Nesse sentido, algumas práticas serão incompatíveis com a educação, entre elas a pontuação social, a inferência automatizada de emoções, a vigilância biométrica contínua, a exploração de vulnerabilidades e a atribuição automática de notas a produções autorais que exijam interpretação. Detectores de conteúdo gerado por IA, por sua vez, não poderão fundamentar isoladamente punições acadêmicas ou disciplinares. Dessa forma, as diretrizes preservam a autonomia institucional, mas deixam claro que autonomia não significa ausência de responsabilidade. 

O novo marco não traz respostas definitivas para uma transformação que seguirá impondo desafios. Oferece, entretanto, algo essencial: princípios para que a inovação avance com segurança, equidade e propósito pedagógico. Ao colocar a inteligência artificial a serviço da aprendizagem e manter as pessoas no centro das decisões, o CNE ajuda a educação brasileira a olhar para o futuro sem abandonar valores que dão sentido à formação humana.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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ANEC Paraná promove Fórum Estadual de Gestores com foco em esperança e inovação na educação https://campinashoje.com/anec-parana-promove-forum-estadual-de-gestores-com-foco-em-esperanca-e-inovacao-na-educacao/2026/15103/ Wed, 19 Aug 2026 15:27:56 +0000 https://campinashoje.com/anec-parana-promove-forum-estadual-de-gestores-com-foco-em-esperanca-e-inovacao-na-educacao/2026/15103/ Encontro será realizado no dia 12 de setembro, em Curitiba, e reunirá dirigentes de instituições de ensino para debater caminhos e estratégias para fortalecer a educação O Conselho da ANEC Paraná realiza, no dia 12 de setembro, o Fórum Estadual de Gestores, encontro voltado aos dirigentes de instituições de ensino com o tema “Desenhar mapas […]

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Encontro será realizado no dia 12 de setembro, em Curitiba, e reunirá dirigentes de instituições de ensino para debater caminhos e estratégias para fortalecer a educação

O Conselho da ANEC Paraná realiza, no dia 12 de setembro, o Fórum Estadual de Gestores, encontro voltado aos dirigentes de instituições de ensino com o tema “Desenhar mapas de esperança na Educação”. O evento acontecerá das 8h às 12h, no Centro Marista Champagnat, em Curitiba, e pretende reunir gestores para uma manhã de diálogo, reflexão e troca de experiências sobre os desafios e as perspectivas do setor educacional.

A iniciativa busca fortalecer a atuação das lideranças educacionais diante das transformações vividas pela educação, incentivando a construção coletiva de estratégias que promovam inovação, esperança e compromisso com a formação humana.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo sistema oficial da ANEC. A organização orienta os participantes a conferirem atentamente os dados de CPF e CNPJ no momento do cadastro. Alterações cadastrais devem ser solicitadas posteriormente pelo e-mail [email protected].

O Fórum será realizado presencialmente no Centro Marista Champagnat, localizado na Avenida Senador Salgado Filho, 1703, Guabirotuba, em Curitiba. Informações sobre inscrições podem ser obtidas com a equipe da ANEC pelos canais oficiais de atendimento.

Serviço

Fórum Estadual de Gestores – ANEC Paraná

Tema: Desenhar mapas de esperança na Educação

Data: 12 de setembro de 2026

Horário: 8h às 12h

Local: Centro Marista Champagnat – Av. Senador Salgado Filho, 1703, Guabirotuba, Curitiba (PR)

Formato: Presencial

Inscrições: Plataforma oficial da ANEC

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Depois do Dia dos Pais, o que permanece? https://campinashoje.com/depois-do-dia-dos-pais-o-que-permanece/2026/15062/ Mon, 17 Aug 2026 15:47:50 +0000 https://campinashoje.com/depois-do-dia-dos-pais-o-que-permanece/2026/15062/ Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data Coluna Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos […]

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Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre a presença, os vínculos afetivos e a herança emocional que permanece além das homenagens da data

Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

O Dia dos Pais foi celebrado no último domingo, 9 de agosto, mas algumas reflexões não cabem em apenas uma data do calendário. Depois das homenagens, dos abraços, das mensagens, das fotografias e dos presentes, fica uma pergunta: o que realmente permanece quando o Dia dos Pais termina?

Ser pai não é apenas gerar uma vida. É participar dela. É estar presente, ensinar pelo exemplo, oferecer segurança, acolher, orientar e, muitas vezes, aprender junto.

Os filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais presentes, capazes de amar, cuidar, estabelecer limites e reconhecer seus próprios erros. Afinal, muito do que aprendemos na vida vem menos das palavras e mais dos exemplos que recebemos.

Há pais que ensinam por meio de grandes gestos. Outros, por pequenas atitudes que parecem simples: acordar cedo para trabalhar, acompanhar uma tarefa, ouvir uma preocupação, oferecer um abraço ou simplesmente perguntar: “Você está bem?”

Existem também pais que já partiram. Para esses, a data pode trazer saudade, mas também a certeza de que algumas presenças permanecem. Um pai continua vivo nos ensinamentos, nos valores, nas histórias e até nos pequenos gestos que os filhos repetem sem perceber.

Talvez, no futuro, não sejam os presentes que permanecerão na memória. Serão os momentos: o abraço depois de uma derrota, o orgulho diante de uma conquista, o conselho antes de uma decisão e a presença quando mais se precisava dela.

Por isso, o Dia dos Pais não deveria terminar quando o domingo acaba.

Que a homenagem continue na rotina. Que o reconhecimento não espere o próximo agosto. Que possamos dizer “eu te amo”, “obrigado” e “tenho orgulho de você” enquanto ainda temos a oportunidade.

Para quem tem o pai por perto, que haja presença. Para quem é pai, que haja consciência da grandeza desse papel. E, para quem sente saudade, que as lembranças sejam transformadas em gratidão.

Porque as datas passam, mas aquilo que construímos nas relações permanece.

Um pai pode deixar muitas coisas. Mas sua melhor herança será sempre aquilo que um filho carrega dentro de si.

Porque o tempo passa, os presentes se vão e as datas terminam, mas o amor que um pai planta no coração de um filho pode florescer por toda a vida.

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Escultura “Última Ceia” em madeira ganha destaque pelo maior alto-relevo do Brasil https://campinashoje.com/escultura-ultima-ceia-em-madeira-ganha-destaque-pelo-maior-alto-relevo-do-brasil/2026/14600/ Wed, 03 Jun 2026 15:49:09 +0000 https://campinashoje.com/escultura-ultima-ceia-em-madeira-ganha-destaque-pelo-maior-alto-relevo-do-brasil/2026/14600/ Obra esculpida em cedro pelo artesão Romualdo de Castro Souza levou um ano e meio para ser concluída em Garanhuns, no Agreste pernambucano Uma das maiores releituras em madeira da obra “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci, está em Pernambuco. Esculpida pelo artesão Romualdo de Castro Souza, na cidade de Garanhuns, a peça impressiona […]

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Obra esculpida em cedro pelo artesão Romualdo de Castro Souza levou um ano e meio para ser concluída em Garanhuns, no Agreste pernambucano

Uma das maiores releituras em madeira da obra “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci, está em Pernambuco. Esculpida pelo artesão Romualdo de Castro Souza, na cidade de Garanhuns, a peça impressiona pela dimensão, riqueza de detalhes e profundidade do alto-relevo.

A história da escultura começou em 2013, com a aquisição de duas grandes pranchas de madeira cedro, vindas do Pará, por meio de uma madeireira do Recife. O trabalho artístico foi iniciado no mesmo ano e concluído em junho de 2015, após cerca de um ano e meio de dedicação.

A obra foi produzida a partir de duas pranchas com aproximadamente 7,30 metros de comprimento, 60 centímetros de largura e 15 centímetros de espessura. Depois de finalizada, a escultura passou a medir cerca de 4 metros de comprimento por 2,20 metros de altura, com uma estrutura que chega a 36,5 centímetros de espessura nas quatro partes da moldura.

A peça é uma releitura tridimensional da famosa pintura “A Última Ceia”, criada por Leonardo da Vinci entre 1495 e 1498, atualmente preservada no convento e igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão, na Itália. A versão em madeira transforma a cena clássica em uma experiência de profundidade, destacando expressões, volumes e detalhes dos personagens.

Pesquisas apontam que a escultura se destaca por apresentar uma das maiores espessuras de madeira já utilizadas em uma representação da “Última Ceia” no Brasil, resultado em um alto-relevo de grande impacto visual.

Com técnica minuciosa e valorização da arte popular, Romualdo de Castro Souza transformou o cedro em uma obra monumental, unindo tradição, fé e a força da escultura pernambucana.

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Aos 30 anos, Adriel Brendown intensifica pré-campanha a deputado federal com agenda em 23 cidades da Bahia https://campinashoje.com/aos-30-anos-adriel-brendown-intensifica-pre-campanha-a-deputado-federal-com-agenda-em-23-cidades-da-bahia/2026/14499/ Fri, 29 May 2026 14:27:50 +0000 https://campinashoje.com/aos-30-anos-adriel-brendown-intensifica-pre-campanha-a-deputado-federal-com-agenda-em-23-cidades-da-bahia/2026/14499/ Advogado, empresário e comunicador aposta no contato direto com a população e defende desburocratização, empreendedorismo, esporte e educação como pilares de sua pré-candidatura Aos 30 anos, Adriel Brendown Torres Maturino imprime um ritmo acelerado à sua Pré-candidatura a Deputado Federal. Com uma bagagem que combina o exercício do Direito, a vivência no jornalismo e a […]

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Advogado, empresário e comunicador aposta no contato direto com a população e defende desburocratização, empreendedorismo, esporte e educação como pilares de sua pré-candidatura

Aos 30 anos, Adriel Brendown Torres Maturino imprime um ritmo acelerado à sua Pré-candidatura a Deputado Federal. Com uma bagagem que combina o exercício do Direito, a vivência no jornalismo e a expertise empresarial — evidenciada pela gestão da LFTV na Bahia e a fundação da TV Nação em Brasília —, o pré-candidato tem se tornado um nome de peso no cenário político baiano.

Diferente de muitos nomes da nova geração, que limitam sua atuação ao ambiente digital, Adriel aposta na “política de sola de sapato”. Até o momento, o pré-candidato já percorreu 23 cidades, onde tem se destacado pela proximidade com o eleitorado. “Gosto de lidar com as pessoas e não tenho medo de sentar para conversar”, afirma, reforçando sua convicção de que o verdadeiro entendimento das demandas nacionais passa pelo contato direto com a realidade das comunidades.

Visão de país e propostas estruturantes

Em suas andanças, o discurso de Adriel é pautado por três pilares fundamentais: o fomento ao esporte como ferramenta de transformação social, a esperança por um Brasil mais eficiente e o apoio ao empreendedorismo com geração de emprego e oportunidade.

Para o pré-candidato, o caminho para o desenvolvimento passa pela redução da burocracia. Ele defende que, ao oferecer estrutura e menos travas aos empreendedores, o país criará o ambiente necessário para o aquecimento real da economia, gerando mais emprego e renda para as famílias brasileiras.

Entre sonhos e trajetória: o fator educação

Ao olhar para a própria trajetória, Adriel revela facetas pouco conhecidas que norteiam suas metas políticas. Filho de pedagoga, o desejo de infância de ser jogador de futebol — um sonho que divide com a grande maioria dos brasileiros — convive hoje com uma aspiração mais madura e profunda: ocupar um dia grande cargo na Educação.

Mais do que uma ambição de cargo, esse objetivo reflete sua crença central. Para Adriel, a educação não é apenas uma diretriz de governo, mas a única solução viável para aqueles que planejam o futuro do país a longo prazo.

Raízes e valores

Nascido em Camaçari e morador de Lauro de Freitas, Adriel carrega consigo a importância das relações familiares como base de sua formação. Filho de Adailton e Marilene (conhecida carinhosamente como “Mari Kids”), ele também não cria distinções entre os pais Geciane e Paulo que foram fundamentais em sua criação. Irmão mais velho de quatro filhos por parte de mãe e uma irmã por parte de pai, o pré-candidato é descrito pelos pais como um homem de valores sólidos.

“Sempre me preocupei com meu filho, por ter um coração muito bom. Tinha medo que o mundo o decepcionasse”, confessa Marilene.

“Meu filho sempre foi paciente, temente a Deus e dedicado, com um coração leve e tratando bem sem olhar a quem”, complementa Adailton.

Entre os amigos, Adriel é conhecido como resolvedor de problemas ou um Porto Seguro. Com apenas 30 anos de idade, preserva amizades de 10, 15 e por incrível que pareça no mundo de hoje, 23 anos de relacionamento. Através destes e da família, já angaria apoio em 53 municípios baianos.

Com uma pré-campanha que ganha tração e uma narrativa focada em proximidade e resultados, Adriel Brendown se posiciona como uma das vozes jovens a observar nos próximos meses, unindo a energia de sua geração com a sensibilidade de quem conhece, de perto, o valor de cada conversa e o peso de cada sonho.

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Consulta pública do CNE sobre licenciaturas semipresenciais fortalece debate democrático na educação https://campinashoje.com/consulta-publica-do-cne-sobre-licenciaturas-semipresenciais-fortalece-debate-democratico-na-educacao/2026/14426/ Tue, 19 May 2026 17:23:02 +0000 https://campinashoje.com/consulta-publica-do-cne-sobre-licenciaturas-semipresenciais-fortalece-debate-democratico-na-educacao/2026/14426/ Janguiê Diniz defende alinhamento regulatório entre ensino presencial e EAD e destaca importância da escuta pública na definição das novas diretrizes educacionais Coluna Janguiê Diniz Em mais uma decisão acertada, o Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu submeter à consulta pública a definição dos percentuais de presencialidade dos cursos de licenciatura ofertados no formato semipresencial. […]

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Janguiê Diniz defende alinhamento regulatório entre ensino presencial e EAD e destaca importância da escuta pública na definição das novas diretrizes educacionais

Coluna Janguiê Diniz

Em mais uma decisão acertada, o Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu submeter à consulta pública a definição dos percentuais de presencialidade dos cursos de licenciatura ofertados no formato semipresencial. A medida representa um gesto de maturidade institucional e compromisso democrático com a construção das políticas públicas educacionais. 

Em um cenário marcado por intensas transformações regulatórias, ouvir a sociedade, as instituições de educação superior, especialistas, entidades representativas e os próprios profissionais da educação é não apenas prudente, mas essencial para a construção de diretrizes equilibradas, viáveis e coerentes com a realidade brasileira.

A medida ganha ainda mais relevância quando observamos o contexto recente de reorganização da política nacional de educação a distância. O Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025, promoveu mudanças profundas na organização dos formatos educacionais. Entre elas, a vedação de oferta integralmente a distância para as licenciaturas e a definição de 40% de presencialidade para os cursos semipresenciais.

Contudo, as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para a formação inicial de professores estabelecem outros parâmetros. Enquanto o novo marco regulatório da EAD passou a trabalhar com a lógica do formato semipresencial estruturado a partir de percentuais mínimos de atividades presenciais e síncronas mediadas, a regulamentação das licenciaturas exige 50% de presencialidade, criando um descompasso normativo que gera insegurança jurídica e dúvidas operacionais para as instituições de ensino.

Nesse contexto, a iniciativa do CNE de abrir consulta pública demonstra disposição para construir convergência regulatória. Mais do que um debate sobre números, a expectativa é de que o processo resulte no alinhamento de duas políticas públicas. Esta é uma medida relevante, ainda que o decreto reconheça a sobreposição das DCNs em situações de divergência.

Por isso, é falaciosa a narrativa de que o Decreto nº 12.456/2025 enfraqueceu a formação docente. Pelo contrário. O texto buscou consolidar uma política de educação a distância orientada pela qualidade acadêmica, pela valorização da docência e pelo fortalecimento das experiências formativas presenciais e síncronas. Trata-se de um posicionamento essencial para assegurar qualidade sem ignorar a diversidade territorial, social e econômica do Brasil.

Cabe ressaltar que alterações em percentuais de presencialidade produzem impactos concretos sobre acesso, permanência e sustentabilidade da oferta educacional. Um aumento excessivo das atividades presenciais pode dificultar o ingresso e a continuidade de milhares de estudantes que vivem longe dos grandes centros urbanos, trabalham em tempo integral ou dependem da flexibilidade proporcionada pela educação mediada pela tecnologia. Ao mesmo tempo, é legítima a preocupação com a necessidade de experiências práticas, interação pedagógica qualificada e fortalecimento da identidade docente durante o processo formativo.

Por isso, a consulta pública se apresenta como um caminho adequado. Ela permite que o debate saia do campo das disputas ideológicas simplificadas e avance para uma discussão técnica, baseada em evidências, experiências institucionais e compreensão das diferentes realidades do país. A formação de professores é complexa demais para ser conduzida a partir de decisões unilaterais ou construídas sem ampla escuta social.

Outro aspecto positivo consiste no reconhecimento de que políticas educacionais precisam ser harmônicas. O Brasil viveu, nos últimos anos, diversas alterações regulatórias no campo da educação superior. Muitas vezes, essas mudanças foram implementadas sem a devida articulação entre decretos, portarias, diretrizes curriculares e instrumentos de avaliação. O resultado foi um ambiente de instabilidade regulatória que dificultou o planejamento institucional e gerou insegurança jurídica para o setor educacional.

Também merece destaque o fato de que a própria abertura da consulta pública reforça o papel do Conselho Nacional de Educação como instância de mediação qualificada entre governo, sociedade e sistema educacional. Em tempos de polarização e radicalização de debates, optar pela escuta e pela construção coletiva representa uma maturidade institucional importante. Não se trata de abrir mão da regulação, mas de fortalecê-la a partir da legitimidade do diálogo.

A educação brasileira precisa superar a lógica das falsas dicotomias. Presencialidade e tecnologia não são conceitos incompatíveis. Qualidade e flexibilidade também não. O desafio contemporâneo consiste exatamente em construir modelos híbridos capazes de combinar experiências formativas robustas, acompanhamento pedagógico efetivo, desenvolvimento de competências profissionais e ampliação do acesso educacional.

Nesse sentido, a consulta pública promovida pelo CNE deve ser celebrada não apenas pelo seu conteúdo imediato, mas pelo método adotado. Escutar antes de decidir é sempre um sinal positivo. Especialmente quando se trata de um tema tão sensível quanto a formação dos futuros professores brasileiros.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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IA na educação exige política de Estado para garantir soberania tecnológica e formação crítica, defende Janguiê Diniz https://campinashoje.com/ia-na-educacao-exige-politica-de-estado-para-garantir-soberania-tecnologica-e-formacao-critica-defende-janguie-diniz/2026/14376/ Fri, 15 May 2026 20:13:44 +0000 https://campinashoje.com/ia-na-educacao-exige-politica-de-estado-para-garantir-soberania-tecnologica-e-formacao-critica-defende-janguie-diniz/2026/14376/ Em artigo, presidente da ABMES elogia diretrizes do CNE sobre inteligência artificial na educação, mas alerta para a falta de uma estratégia nacional robusta diante do avanço global da tecnologia Coluna Janguiê Diniz A submissão à consulta pública das Diretrizes Orientadoras para a Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira, pelo Conselho Nacional de Educação […]

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Em artigo, presidente da ABMES elogia diretrizes do CNE sobre inteligência artificial na educação, mas alerta para a falta de uma estratégia nacional robusta diante do avanço global da tecnologia

Coluna Janguiê Diniz

A submissão à consulta pública das Diretrizes Orientadoras para a Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), representa um passo importante, ainda que inicial, na construção de uma política educacional sobre inteligência artificial no país. O documento parte da premissa acertada de que a IA não pode mais ser tratada como um fenômeno periférico, tampouco como mera curiosidade tecnológica. Afinal, ela já está reorganizando a produção do conhecimento, as formas de aprendizagem, os modelos de avaliação e a gestão acadêmica, além da percepção contemporânea sobre formação humana. 

Neste sentido, talvez o maior mérito da proposta apresentada pelo CNE esteja na prudência regulatória adotada. Em vez de criar um conjunto rígido de normas, o parecer é composto por diretrizes orientadoras, princípios gerais e recomendações de boas práticas, preservando a autonomia pedagógica das instituições de ensino e reconhecendo a velocidade com que a tecnologia se transforma. Trata-se de uma escolha inteligente, pois o excesso de regulamentação poderia resultar na caducidade da normativa antes mesmo da sua entrada em vigor.

O documento também acerta ao reafirmar a centralidade da mediação humana no processo educacional: a IA deve atuar como ferramenta complementar, jamais substitutiva da atuação docente. Merece elogio, ainda, a preocupação com aspectos como proteção de dados, ética digital, transparência algorítmica, inclusão e desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes. O parecer demonstra sensibilidade institucional ao evidenciar que a discussão sobre inteligência artificial não é apenas tecnológica, mas profundamente pedagógica, social e civilizatória.

Seguindo essa compreensão de que a IA não deve ser resumida a uma ferramenta operacional, o texto é assertivo ao defender a inclusão do ensino sobre inteligência artificial nos currículos da educação básica e da educação superior. Essa medida é relevante porque desloca o debate do simples “uso da tecnologia” para a formação de competências cognitivas, críticas e profissionais compatíveis com o século XXI.

Contudo, apesar dos acertos constantes do documento, é impossível não perceber uma inquietante timidez por parte do Estado brasileiro. O parecer do CNE é importante, mas ele surge quase como uma iniciativa isolada dentro de um cenário nacional ainda marcado pela ausência de uma visão sistêmica sobre inteligência artificial e educação.

O contraste internacional torna essa percepção ainda mais evidente. Enquanto o Brasil debate diretrizes orientadoras, e ainda hesita em transformar a inteligência artificial em política pública estruturante, a China já opera em outro patamar. O recém-lançado Plano de Ação IA + Educação 2030, publicado por cinco órgãos governamentais, não trata a IA apenas como ferramenta pedagógica, mas como política de desenvolvimento humano, econômico, científico e geopolítico.

O plano chinês estabelece metas para integração da IA em todos os níveis educacionais até 2030, envolvendo currículo, formação docente, infraestrutura computacional, plataformas públicas de dados, modernização da pesquisa científica, sistemas inteligentes de avaliação e políticas massivas de alfabetização em IA para toda a população.

Esse planejamento, ousado e a curto-prazo, ressalta-se, mostra que a China compreendeu que inteligência artificial não se constitui em inovação tecnológica apenas, mas em um projeto de Estado. O documento chinês fala explicitamente em soberania tecnológica, construção de ecossistema nacional de IA, fortalecimento de talentos estratégicos e criação de infraestrutura pública de inteligência artificial para educação. Em outras palavras, não se trata somente de usar plataformas existentes, mas de construir capacidade nacional de produção tecnológica e domínio intelectual sobre o futuro.

No Brasil, infelizmente, ainda estamos muito distantes dessa compreensão estratégica. A quase inexistência de referências robustas à inteligência artificial no novo Plano Nacional de Educação é sintoma eloquente desse atraso. Embora o documento mencione educação digital em alguns pontos, a IA aparece de forma periférica, difusa e sem densidade estratégica compatível com a dimensão da transformação em curso. Não há metas estruturantes claras sobre formação docente em IA, desenvolvimento de infraestrutura, alfabetização algorítmica, pesquisa aplicada ou políticas públicas de soberania tecnológica educacional.

Essa ausência é especialmente preocupante porque a inteligência artificial deixou de ser uma promessa de futuro para se consolidar como uma força estruturante do presente. Trata-se de uma transformação capaz de redefinir modelos econômicos, relações de trabalho, produção de conhecimento e dinâmicas de poder em escala global. Nesse contexto, os países que não compreenderem rapidamente a centralidade dessa agenda estarão sujeitos a um processo profundo de dependência tecnológica, intelectual e econômica, com impactos sem precedentes na história contemporânea. Em outras palavras, mais do que uma discussão sobre ferramentas ou inovação digital, trata-se de um desafio essencialmente formativo.

Estamos, portanto, diante de uma disputa que transcende a dimensão tecnológica e alcança aspectos centrais da soberania das nações, como linguagem, pensamento, criatividade, autonomia intelectual e capacidade produtiva. Os países que estruturarem políticas consistentes para a inserção da IA na educação terão condições de formar profissionais, pesquisadores e cidadãos preparados para liderar os processos de transformação das próximas décadas. Em contrapartida, aqueles que negligenciarem essa agenda correm o risco de ocupar uma posição periférica, limitada ao consumo passivo de tecnologias, plataformas e soluções desenvolvidas por terceiros, aprofundando relações de dependência econômica, científica e estratégica.

Voltando ao contexto brasileiro, o parecer construído pelo CNE merece reconhecimento. Em um ambiente institucional ainda hesitante, ele representa um avanço significativo. Embora embrionário, inaugura uma discussão séria, técnica e equilibrada sobre o uso e as aplicações da inteligência artificial na educação; e faz isso com maturidade regulatória, evitando tanto o deslumbramento acrítico quanto o proibicionismo improdutivo.

Contudo, talvez seja o momento de o Brasil abandonar essa postura meramente reativa e compreender que não basta regular o uso da inteligência artificial. Ela precisa ser abraçada como estratégia de desenvolvimento, e adotada como política de Estado voltada à formação das pessoas, à competitividade econômica, à soberania científica e tecnológica e à capacidade de o país participar, efetivamente, da economia do conhecimento. Afinal, a questão não é mais se a inteligência artificial fará parte da educação brasileira, pois isso já aconteceu, mas se o Brasil irá adotá-la apenas como tecnologia importada de consumo imediato ou como instrumento estratégico de construção do seu próprio futuro.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

 

O post IA na educação exige política de Estado para garantir soberania tecnológica e formação crítica, defende Janguiê Diniz apareceu primeiro em Campinas Hoje.

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