Arquivo de Cuidados - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/cuidados/ Tue, 21 Jul 2026 14:38:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.3 https://campinashoje.com/wp-content/uploads/2024/03/CAMPINAS-HOJE-1-150x150.png Arquivo de Cuidados - Campinas Hoje https://campinashoje.com/marcadores/cuidados/ 32 32 Útero didelfo: especialista explica condição rara relatada por nora de Andressa Urach https://campinashoje.com/utero-didelfo-especialista-explica-condicao-rara-relatada-por-nora-de-andressa-urach/2026/14965/ Tue, 21 Jul 2026 14:38:03 +0000 https://campinashoje.com/utero-didelfo-especialista-explica-condicao-rara-relatada-por-nora-de-andressa-urach/2026/14965/ Condição pode não apresentar sintomas por anos, mas requer acompanhamento em casos de dor, infertilidade ou complicações na gravidez

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A condição conhecida como útero didelfo, mencionada por Maya Braga, parceira de Arthur Urach e nora de Andressa Urach, é uma malformação congênita rara que se desenvolve durante a fase embrionária. Essa anomalia se caracteriza pela presença de dois úteros e, em algumas situações, também de dois colos uterinos. Apesar do destaque que o caso recebeu, ele provoca reflexões sobre questões relacionadas à saúde ginecológica e fertilidade. Cláudio Crispi Jr., que lidera o Serviço de Ginecologia do Hospital São Vicente de Paulo no Rio de Janeiro, explica que essa alteração integra o grupo das malformações müllerianas, que afetam a formação do sistema reprodutor feminino.

Durante a formação do embrião, estruturas conhecidas como ductos de Müller são responsáveis pela criação do útero, das trompas de Falópio e parte do canal vaginal. Em condições normais, esses ductos se fundem para formar uma única cavidade uterina. No entanto, no caso do útero didelfo, essa fusão não ocorre completamente, resultando em dois úteros distintos e, em algumas circunstâncias, também em dois colos uterinos: “É basicamente um erro de formação na vida embrionária”, esclareceu o médico ao portal LeoDias.

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Tipos de útero: didelfo e septado são muito rarosReprodução: Clínica Renata Assef
Arthur Urach e a namorada, Maya, explicando condição da jovemDivulgação: Assessoria Cacau Oliver
Maya, Arthur e Andressa UrachReprodução: @arthururachoficial @mayaxbraga/Assessoria Cacau Oliver
Maya, namorada de Arthur UrachReprodução: @arthururachoficial @mayaxbraga/Assessoria Cacau Oliver
Exemplo de caso raro de útero didelfo: a técnica de radiologia Palomas Matos, de Atibaia (SP), teve gêmeos, cada um em um úteroReprodução: Arquivo pessoal

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Dentre as malformações müllerianas identificadas, o útero septado é a mais comum e se caracteriza pela divisão interna da cavidade uterina. Em contrapartida, o útero didelfo representa apenas uma fração dos casos diagnosticados. Em raras ocasiões, a separação do canal vaginal pode se estender até a abertura externa da vagina, resultando em duas entradas; em outros casos, a duplicação pode ser restrita ao interior ou nem mesmo existir: “Estima-se que entre 3% a 7% das mulheres apresentem algum tipo de malformação mülleriana, sendo o didelfo a forma mais incomum”, afirmou o médico.

Uma mulher pode viver com o útero didelfo sem ter conhecimento da condição, especialmente quando ambas as cavidades funcionam adequadamente. Nestes casos, o ciclo menstrual frequentemente ocorre sem alterações perceptíveis e o diagnóstico costuma ser realizado durante exames rotineiros ou investigações por outras razões: “O problema surge quando um ou ambos os úteros não são funcionais. Por exemplo: ela pode ter um útero que menstrua mas não consegue eliminar o sangue acumulado. Isso resulta em dor devido ao acúmulo menstrual dentro do útero. Existem pacientes que querem engravidar mas enfrentam dificuldades ou têm abortos recorrentes… Essas são situações que podem chamar atenção. Contudo, geralmente falando sobre o útero didelfo – por serem dois órgãos separados e funcionais – a paciente muitas vezes não suspeita da condição”, detalhou o especialista.

Outros indícios que podem levar à investigação incluem dificuldades para engravidar ou perdas gestacionais frequentes. Entretanto, a presença do útero didelfo não implica necessariamente infertilidade: “Na maioria dos casos, o principal impacto das malformações na mulher é a dificuldade em manter uma gestação. Ou seja, ela consegue engravidar mas corre risco maior de parto prematuro”, comentou Crispi. Dependendo das características individuais do caso específico também pode haver um aumento na probabilidade de aborto espontâneo.

Mulheres diagnosticadas com alguma anomalia uterina devem continuar suas consultas ginecológicas regularmente. Contudo, consultas prévias a tentativas de gravidez são fundamentais para avaliar a anatomia uterina e identificar possíveis riscos envolvidos na gestação. O especialista ressalta ainda que exames adicionais podem ser recomendados para entender melhor a gravidade da alteração e determinar um acompanhamento obstétrico adequado. A necessidade de tratamento varia conforme os sintomas apresentados pela paciente e seu histórico reprodutivo.

Nem todas as mulheres com essa condição requerem cirurgia. Para os casos de útero didelfo, procedimentos cirúrgicos destinados à união das duas cavidades são considerados raros e complexos: “Existem poucos relatos na literatura médica sobre isso porque seria necessário realizar uma reconstrução completa do órgão genital feminino. Isso exigiria conectar os dois úteros que não foram unidos durante o desenvolvimento embrionário da paciente e transformar essas duas cavidades independentes em uma única cavidade funcional. Os resultados cirúrgicos geralmente são insatisfatórios”, explicou Crispi. Devido aos resultados limitados dessas intervenções cirúrgicas complexas, elas costumam ser restritas a situações excepcionais. Em contraste com condições mais simples como o útero septado onde algumas pacientes podem ser tratadas por meio da histeroscopia – uma técnica minimamente invasiva realizada dentro da cavidade uterina.

Apesar dos riscos envolvidos com esta condição rara, mulheres com útero didelfo têm chances reais de engravidar e levar suas gestações adiante com sucesso. O cuidado principal é garantir um acompanhamento médico personalizado tanto antes quanto durante toda a gravidez.

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