Para cada R$ 1 investido pelo setor privado em atividades esportivas, são gerados R$ 23,36 na cadeia de valor do esporte. Em relação ao investimento público, a cada R$ 1 aplicado, surgem R$ 12,83 adicionais. Essas informações constam no primeiro Relatório Nacional da Economia do Esporte.
Os dados foram revelados por Fabiana Bentes, presidente e fundadora do Instituto Sou do Esporte, durante o Ticket Sports Summit que ocorreu nesta quarta-feira (2) no Memorial da América Latina, localizado em São Paulo (SP).
O estudo, realizado pelo Instituto Sou do Esporte com apoio metodológico da EY, revelou que o setor esportivo movimentou R$ 183,4 bilhões na economia nacional em 2023, representando 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Além disso, a cadeia esportiva gerou cerca de 3,3 milhões de empregos diretos e indiretos.
“Esporte não é apenas uma ajuda. Trata-se de um investimento que traz retorno e gera emprego e renda. É assim que devemos apresentar o valor do esporte no Brasil”, declarou Fabiana Bentes.
Os dados mostram um crescimento em comparação a 2022. O PIB do Esporte subiu de R$ 176,15 bilhões para R$ 183,4 bilhões em um ano, representando uma alta de aproximadamente 4,1%. A contribuição do setor para a economia brasileira também aumentou de 1,67% para 1,69%.
“É essencial enxergar o esporte como um investimento. Precisamos destacar sua importância econômica e não vê-lo apenas como um incentivo ou ajuda. O esporte é fundamental para o Brasil”, enfatizou Fabiana Bentes.
3,3 milhões de empregos
A análise da distribuição dos empregos ilustra bem a abrangência da cadeia esportiva. O comércio de produtos esportivos foi responsável por 52% das vagas totais, enquanto as atividades recreativas concentraram 25%. A indústria respondeu por 13%, e as áreas de mídia e publicidade totalizaram os restantes 7% dos postos.
O levantamento abrangeu mais de 20 setores econômicos ligados ao esporte, considerando áreas como indústria, consumo, saúde e bem-estar, turismo esportivo, governança, comércio e entretenimento.
Fabiana Bentes ressaltou a importância de ampliar a coleta de dados sobre essa área para que empresas e governos consigam entender melhor o retorno econômico gerado pelo esporte.
Os eventos esportivos representam uma oportunidade significativa para essa mensuração. Informações sobre o perfil dos participantes e acompanhantes, além de dados sobre hospedagem e gastos com alimentação e transporte podem ajudar a calcular o impacto econômico das competições nas cidades-sede.
“É crucial saber quantas pessoas participam dos eventos, qual seu perfil demográfico e quanto cada um investe para estar presente. Precisamos entender se eles vêm acompanhados e quais gastos realizam durante a estadia. Essa falta de dados qualificados ainda é um grande desafio no esporte brasileiro”, comentou Fabiana Bentes.
“Esses números reforçam nossa argumentação pela criação de mais oportunidades e investimentos em eventos esportivos. Quanto mais precisos forem os dados coletados sobre as competições, maior será nossa capacidade de evidenciar sua relevância e gerar percepção positiva no mercado”, destacou ela.
Nova edição
A segunda edição do PIB do Esporte está programada para ser desenvolvida em 2026 com base nos dados referentes a 2025. Este novo estudo buscará incluir atividades informais e abrangerá o mercado regulamentado de apostas esportivas.
“Conseguimos incluir uma emenda proposta pelo senador Portinho para o PIB 2 e já iniciamos este ano os estudos voltados a 2025. No levantamento inicial não tínhamos informações sobre apostas porque ainda não eram regulamentadas e havia escassez de dados sobre atividades informais”, explicou.
“O estudo tornou-se uma referência importante. Planejamos utilizar o ano-base de 2025 e nossa intenção é realizar atualizações bienais”, acrescentou Fabiana Bentes.
Fundado em 2015 pela jornalista Fabiana Bentes, o Instituto Sou do Esporte é uma entidade independente sem vínculos partidários que busca fortalecer o esporte brasileiro por meio da boa governança, transparência e responsabilidade social.
Entre os projetos principais estão o Prêmio Sou do Esporte, o PIB do Esporte, SDE Bisutti Talks e Sou do Esporte Gastronomia Nutritiva. O instituto também organiza eventos, produz estudos e programas de capacitação voltados ao fortalecimento do ecossistema esportivo no Brasil.