Arquivo de Investimentos - Campinas Hoje https://campinashoje.com/grupos/investimentos/ Fri, 17 Apr 2026 17:37:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://campinashoje.com/wp-content/uploads/2024/03/CAMPINAS-HOJE-1-150x150.png Arquivo de Investimentos - Campinas Hoje https://campinashoje.com/grupos/investimentos/ 32 32 O preço da incerteza: por que o Brasil precisa aprender a pensar em probabilidades — e não em certezas https://campinashoje.com/o-preco-da-incerteza-por-que-o-brasil-precisa-aprender-a-pensar-em-probabilidades-e-nao-em-certezas/2026/14232/ Fri, 17 Apr 2026 17:37:54 +0000 https://campinashoje.com/o-preco-da-incerteza-por-que-o-brasil-precisa-aprender-a-pensar-em-probabilidades-e-nao-em-certezas/2026/14232/ Acesso à informação nunca foi tão fácil. Mesmo assim, a nossa capacidade de lidar com o que não sabemos — de verdade — nunca foi tão frágil. Imagine que você está no grupo de família no WhatsApp e alguém manda uma mensagem:“O dólar vai explodir esse mês, tira tudo da poupança já.” Em segundos, metade […]

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Acesso à informação nunca foi tão fácil. Mesmo assim, a nossa capacidade de lidar com o que não sabemos — de verdade — nunca foi tão frágil.

Imagine que você está no grupo de família no WhatsApp e alguém manda uma mensagem:
“O dólar vai explodir esse mês, tira tudo da poupança já.”

Em segundos, metade do grupo responde com emojis de medo. A outra metade discorda com a mesma certeza:
“Isso é fake, o governo não vai deixar.”

Ninguém naquele grupo disse:
“Acho que tem uns 30% de chance disso acontecer, dependendo do cenário fiscal.”

Essa frase nunca aparece. Não porque as pessoas sejam burras — mas porque ninguém ensinou que ela é possível. Que incerteza pode ser medida. Que opiniões têm graduação.

Esse é o ponto de partida deste artigo: o maior problema de informação do Brasil não é a falta de dados. É a incapacidade coletiva de lidar com o que não se sabe — e de transformar essa névoa em algo utilizável.

Mais conectado, mais confuso

O Brasil é um dos países mais conectados do mundo em volume. Milhões de pessoas passam horas por dia no TikTok, Instagram e YouTube consumindo conteúdo sobre política, economia e mercados.

Mas conectividade e compreensão são coisas diferentes.

Uma minoria dos brasileiros verifica ativamente a veracidade das informações que consome — e essa proporção quase dobra quando o acesso inclui computador, não apenas celular.

Essa diferença não é trivial. Ela revela algo estrutural: o tipo de acesso que predomina não favorece comparação de fontes, análise cuidadosa ou reflexão. Favorece o scroll rápido, o estímulo imediato e a confirmação do que já se acredita.

O resultado é uma combinação perigosa: hiperconectividade com subletramento informacional. Mais barulho, menos sinal.

O colapso do binário

Diante de excesso de informação, o cérebro busca atalhos. E o mais comum deles é o pensamento binário: verdadeiro ou falso, certo ou errado, vai acontecer ou não vai.

Essa simplificação tem um custo alto.

Ela transforma análise em disputa.
Nuance vira fraqueza.
E qualquer “depende” soa como falta de convicção.

Quando alguém diz “tenho certeza absoluta que…”, ninguém estranha.
Mas quando alguém diz “estimo 60% de chance…”, isso ainda soa incomum.

E, no entanto, a segunda frase é muito mais útil.

Porque ela não só expressa uma opinião — ela quantifica o grau de crença.

O que acontece quando há consequência para errar

Existe um ambiente onde esse tipo de linguagem não é opcional — é obrigatório.

Mercados preditivos.

Neles, dizer “acho que vai acontecer” não basta. Você precisa traduzir essa crença em preço — ou seja, em probabilidade — e colocar algo em risco com base nisso.

Se você acredita que um evento tem 70% de chance de acontecer, mas o mercado está precificando 50%, existe uma oportunidade. Mas também existe um custo: se você estiver errado, você perde.

Esse detalhe muda tudo.

Porque elimina um comportamento comum no debate público: opinar sem consequência.

No Brasil, plataformas como a Futura começam a explorar esse modelo, permitindo que pessoas expressem suas expectativas sobre eventos reais com exposição direta ao acerto ou erro.

A proposta não é substituir análises ou opiniões — é criar um termômetro coletivo onde crenças precisam ser calibradas, não apenas defendidas.

Quem acerta, ganha.
Quem erra, perde.

E, mais importante: todo mundo aprende.

Plataforma Futura / Divulgação

Por que ninguém nos ensinou isso

A escola ensina respostas certas.

2+2=4.
A Terra tem bilhões de anos.
O Brasil foi descoberto em 1500.

Esse modelo funciona para fundamentos. Mas ele cria um efeito colateral: treinamos a mente para buscar certezas mesmo em contextos onde elas não existem.

Na vida adulta, as perguntas mais importantes são probabilísticas por natureza:

“Devo trocar de emprego?”
“Esse investimento vale a pena?”
“Quem vai ganhar essa eleição?”

Mas seguimos tentando respondê-las como se fossem provas de múltipla escolha.

O problema da confiança mal calibrada

Pessoas tendem a ser mais confiantes do que deveriam.

Quando alguém diz “tenho 90% de certeza”, na prática acerta com muito menos frequência. Essa diferença entre confiança percebida e precisão real é o que se chama de descalibração.

E ela tem efeitos concretos:

  • decisões ruins
  • excesso de risco
  • resistência a mudar de ideia

Quem você confia — e por quê isso importa

Curiosamente, as fontes mais confiáveis costumam ser justamente as que evitam certezas absolutas.

Médicos dizem “há uma chance de…”
Cientistas dizem “os dados sugerem…”

Eles trabalham com incerteza explicitamente — e por isso parecem mais confiáveis.

Existe quase uma intuição coletiva de que o mundo é incerto.
O problema é que não fomos treinados para lidar com isso de forma estruturada.

Pensar em probabilidades não é relativismo

Esse é um ponto importante.

Dizer “60% de chance” não é ser vago.
É ser preciso dentro do que é possível saber.

Um bom forecaster não evita compromisso — ele se compromete de forma mensurável.

E isso exige mais disciplina, não menos.

O exercício que transforma tudo

A boa notícia é que calibração é uma habilidade.

E começa com um exercício simples:

antes de expressar qualquer opinião sobre o futuro, associe a ela um número.

No começo, esse número vai parecer arbitrário. E tudo bem.

O ganho não está na precisão inicial — está na mudança de comportamento.

Quando você quantifica sua opinião:

Você passa a enxergar graus, não extremos.
Você começa a perceber onde costuma errar.
Você cria espaço para atualizar sua visão sem precisar “defender um lado”.

Com o tempo, você deixa de pensar em termos de certeza — e passa a pensar em termos de probabilidade ajustável.

E isso muda completamente a forma como você decide.

O preço da incerteza

O mundo não ficou mais incerto.
Ele sempre foi.

A diferença é que agora somos expostos a essa incerteza o tempo inteiro — sem as ferramentas para lidar com ela.

O custo não é a dúvida.

É fingir que ela não existe.

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A pressão da XP: empresário alega prejuízos e coação envolvendo empréstimo de alto risco https://campinashoje.com/a-pressao-da-xp-empresario-alega-prejuizos-e-coacao-envolvendo-emprestimo-de-alto-risco/2024/12846/ Tue, 27 Aug 2024 11:56:22 +0000 https://campinashoje.com/a-pressao-da-xp-empresario-alega-prejuizos-e-coacao-envolvendo-emprestimo-de-alto-risco/2024/12846/ A XP Investimentos está sendo processada sob a acusação de coagir um funcionário a pressionar seu próprio pai a contratar um empréstimo arriscado oferecido pela corretora. De acordo com a ação judicial, o objetivo seria consolidar a carreira do filho, Gabriel Puerta, dentro da instituição. No entanto, o resultado foi o oposto: após a conclusão […]

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A XP Investimentos está sendo processada sob a acusação de coagir um funcionário a pressionar seu próprio pai a contratar um empréstimo arriscado oferecido pela corretora. De acordo com a ação judicial, o objetivo seria consolidar a carreira do filho, Gabriel Puerta, dentro da instituição. No entanto, o resultado foi o oposto: após a conclusão da transação, Gabriel foi demitido.

O empresário Marco Antônio Puerta afirma ter sofrido prejuízos financeiros devido ao empréstimo de R$ 15 milhões, que foi aplicado em Certificados de Operações Estruturadas (COEs) sem que ele fosse adequadamente alertado sobre os riscos. Já investidor de R$ 22 milhões em um fundo da XP, Puerta diz que a proposta envolvia a retirada de R$ 15 milhões desses investimentos e a contratação de um empréstimo de igual valor, mediante uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), para que ele não ficasse sem recursos imediatos.

Conversas trocadas no WhatsApp entre Gabriel Puerta e seu então colega de trabalho, Augusto Chitero Spelta, revelam a pressão que Gabriel enfrentou para convencer seu pai a fechar o negócio. Em uma das mensagens, Spelta diz que Marco Antônio “antes de ser seu pai, é seu cliente”, evidenciando a tensão gerada pela expectativa de fechar a transação rapidamente. Spelta, preocupado com os bônus que o negócio traria, insistia na assinatura imediata dos documentos, apesar das hesitações do empresário.

Na ação, Marco Antônio Puerta alega que foi vítima de um esquema orquestrado para favorecer a XP, sendo induzido a um negócio baseado em informações enganosas sobre a segurança da operação. Ele afirma que a corretora garantiu que os lucros gerados pelo investimento não apenas cobririam os juros do empréstimo, mas também proporcionariam ganhos significativos. Contudo, a XP teria omitido que os rendimentos só seriam pagos após cinco anos, enquanto os juros cobrados sobre o empréstimo eram muito maiores do que qualquer retorno realista esperado.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, em decisão liminar proferida pelo juiz André Augusto Salvador Bezerra, determinou a suspensão da cobrança de juros do empréstimo, reconhecendo a existência de provas que corroboram os fatos apresentados por Puerta.

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“Dinheiro de uma vida inteira”: XP é acusada de prática abusiva com operações alavancadas https://campinashoje.com/dinheiro-de-uma-vida-inteira-xp-e-acusada-de-pratica-abusiva-com-operacoes-alavancadas/2024/12840/ Fri, 09 Feb 2024 11:50:35 +0000 https://campinashoje.com/dinheiro-de-uma-vida-inteira-xp-e-acusada-de-pratica-abusiva-com-operacoes-alavancadas/2024/12840/ A XP Investimentos, maior corretora do país, está sob suspeita de realizar operações financeiras não autorizadas por investidores, resultando em perdas milionárias e levantando suspeitas de práticas de churning — uma fraude financeira que envolve negociações excessivas para aumentar comissões e taxas de corretagem. Com mais de 4,5 milhões de clientes e R$ 1,1 trilhão […]

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A XP Investimentos, maior corretora do país, está sob suspeita de realizar operações financeiras não autorizadas por investidores, resultando em perdas milionárias e levantando suspeitas de práticas de churning — uma fraude financeira que envolve negociações excessivas para aumentar comissões e taxas de corretagem.

Com mais de 4,5 milhões de clientes e R$ 1,1 trilhão sob custódia no final de 2023, a XP enfrenta processos de clientes que alegam terem sido induzidos a realizar operações alavancadas, sem entenderem os riscos, em produtos financeiros como Certificados de Operações Estruturadas (COEs).

O relato de uma investidora

Uma das vítimas entrevistadas pelo Jornal GGN, que preferiu manter o anonimato, relatou que confiou toda sua “economia de uma vida inteira” à corretora, sendo induzida a realizar um investimento de alto risco, mesmo tendo perfil conservador. Ela explicou que, ao deixar claro que era “totalmente leiga” no assunto, o corretor da XP prometeu aumentar seu capital em até 80%, chamando a oportunidade de “benefício exclusivo da XP”.

Apesar do perfil conservador da investidora, que busca segurança em seus investimentos, ela foi convencida a alocar recursos em COEs, produtos voltados para perfis moderados ou agressivos, que misturam renda fixa e variável. O problema se intensificou quando, meses após iniciar os investimentos, a cliente descobriu um empréstimo elevado vinculado a sua conta, que estava atrelado a operações de alavancagem realizadas pela XP, sem seu conhecimento ou autorização.

A falta de resposta e o impacto emocional

Ao perceber o empréstimo e as perdas associadas, a investidora tentou resolver o problema com a XP, solicitando a troca de assessor e pedindo explicações. No entanto, a corretora não respondeu prontamente e a cliente precisou recorrer às redes sociais para ser ouvida. Segundo ela, o novo assessor afirmou que desfazer o empréstimo implicaria em mais perdas, gerando ainda mais frustração.

Diante da situação, a investidora relatou que sua carteira foi ajustada sem seu consentimento para um perfil moderado, permitindo a continuidade das operações arriscadas. Ela tentou, sem sucesso, reverter a situação em uma reunião presencial com um novo corretor.

A suspeita de churning e as consequências

O caso ilustra uma possível prática de churning, na qual as operações financeiras são feitas de forma desmedida para maximizar comissões e taxas para a corretora, em detrimento dos interesses do cliente. A cliente, que agora enfrenta uma dívida maior do que seus ativos devido aos juros, ainda tenta resolver a situação com a XP, preocupada com o impacto financeiro devastador em suas economias de uma vida inteira.

“Eu choro porque fico irritada, não consigo entender. Estou nas mãos deles”, desabafou a investidora, que ainda busca uma solução para o caso que comprometeu suas finanças.

A XP não comentou diretamente o caso específico, mas as denúncias de práticas abusivas como essa colocam em xeque a transparência e o compromisso da corretora com a proteção de seus clientes, especialmente os de perfil mais conservador.

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