A batalha legal entre Gerson e o Flamengo se intensificou de forma significativa na noite de quarta-feira (01). Conforme informações, a equipe de advogados do volante, que atualmente defende as cores do Cruzeiro, protocolou uma contestação na 25ª Vara Cível da capital fluminense. Nela, o clube rubro-negro é acusado de má-fé, fraude trabalhista e até de uma suposta motivação de “vingança” em relação ao processo.
O cerne da defesa gira em torno da afirmação de que não houve descumprimento contratual por parte do jogador, mas sim a realização correta de suas obrigações. Os advogados argumentam que o Zenit pagou integralmente a multa rescisória, fixada em 25 milhões de euros, o que, segundo eles, configura o término regular do contrato. A peça também menciona que Gerson e seu pai foram levados a assinar um pedido de demissão manuscrito sob a alegação de ser um mero trâmite burocrático, algo que posteriormente foi utilizado contra o atleta no âmbito judicial.
Ademais, a defesa apresenta um ponto mais delicado ao insinuar que há motivações políticas e pessoais por trás da ação judicial. Eles questionam o timing da reclamação e sugerem que o Flamengo estaria se vingando pela transferência de Gerson para o Cruzeiro. O diretor Bruno Spindel, hoje atuando no clube mineiro, é indiretamente mencionado como parte desse contexto tenso com a atual diretoria rubro-negra.
Além da linha principal de defesa, os advogados elencam diversas supostas irregularidades cometidas pelo Flamengo. Dentre elas estão alegações de vício de consentimento em documentos assinados pelo jogador, utilização indevida de contratos de imagem para evitar encargos trabalhistas, retenção do termo de rescisão contratual sem comunicação com a defesa e a falta de pagamento das premiações referentes ao Mundial de Clubes previsto para 2025. Também é mencionada uma dívida no valor de R$ 6,3 milhões relacionada a luvas e a existência de assinaturas em branco feitas pelo atleta devido à confiança depositada na instituição.
Outro aspecto relevante destacado pela defesa é a variação nos valores da multa rescisória durante as diferentes passagens do jogador pelo clube. Após ter enfrentado cifras elevadas em contratos anteriores, a redução para 25 milhões de euros na renovação realizada em abril de 2025 chamou a atenção dos advogados. Eles levantam questões sobre se o atleta tinha plena consciência dessa alteração nos termos contratuais.
Assim, essa disputa financeira inicial se transforma em um conflito mais abrangente, envolvendo questões relacionadas à reputação, à administração do clube e possíveis irregularidades trabalhistas. Dependendo das evidências apresentadas durante o processo, a situação pode mudar drasticamente, fazendo com que o Flamengo passe da posição de credor para alvo de cobranças milionárias no âmbito judicial.